Ouvindo Pressure and Time, Electric Man e outros quase hits da banda Rival Sons, de Long Beach, Califórnia, a impressão que se tem é que o rock’n’roll setentista escapou de um tsunami de música medíocre e está de novo surfando no coração do mundo. Jay Buchanan é um Plant sem filtro. O vocalista dos Rival Sons chama a atenção pela forma potente, bluesy e selvagem com que canta rock, e está chegando com sua banda para o Monsters of Rock, dias 25 e 26, no Anhembi. 

É a primeira vez deles no Brasil, e a maioria dos fãs de rock nunca ouviu falar neles. Em turnê pela Europa, falando da Bélgica por telefone, Buchanan conversou comigo por uns minutos pouco antes da mãe de todos os passaralhos ceifar minha cabeça – e achei uma pena não publicar algumas de suas considerações.
Vocês são o peixe pequeno de um festival que tem Ozzy, Judas, Motörhead. Algum deles figura entre seus favoritos?

Ozzy. Ele está na base do que se tornou o metal moderno, sua voz incomum e sua performance fizeram História e eu gostaria muito de vê-lo mais uma vez em ação. Ele não me influenciou, mas influenciou quase todo mundo, inventou uma dramaturgia das sombras para o nosso tempo. E eu sou um produto de tudo que ouvi. Os astros ali no festival não fazem a música que eu mais gosto, mas certamente eles ajudaram a moldar minha percepção e algum talento para a música. Eu, pessoalmente, ouvi mais Rolling Stones, Kinks e Van Morrison que Kiss e Judas Priest.

Seu disco mais recente, Great Western Valkyrie, é o que se chama de rock clássico sem medo de errar. Foi comparado a Doors, Led Zeppelin e Animals. Nada mal, hein?

Bom, o que nós tocamos é rock’n’roll. Ser comparado a algumas das melhores bandas de rock’n’roll da História é certamente muito lisonjeiro. Mas, veja: não é necessário comparar com certa banda ou certo artista, nós temos nosso jeito próprio e não somos dependentes de uma influência. Se a gente causa a mesma sensação, é porque a gente tem a mesma atitude, a mesma forma de encarar a música – um jeito simples, sem frescura, com entrega e paixão.

Mas é que hoje é tão raro surgir uma banda estritamente de rock’n’roll que receba tanta atenção que não dá para não perceber…

Vivemos uma época em que as bandas que estão no topo da pirâmide são de artistas pop. E o rock está numa dimensão mais alternativa, não recebe mais os holofotes. Há poucos artistas de rock experimentando a condição de headliner em festival. Você tem Jack White, Black Keys, Royal Blood e mais dois ou três. Mas é falsa essa impressão de que não há mais boas bandas de rock. Quanto mais a gente viaja, mais a gente encontra bandas bacanas, tipo Gravyard. Elas só não estão sendo badaladas, estão num outro patamar de interesse público. Há milhares de boas bandas.

Mesmo os velhos roqueiros estão diversificando seu foco. Robert Plant, por exemplo, esteve aqui há alguns dias e tocou algumas coisas de world music.

Mas eu adoro world music. Sou um grande fã de Fela Kuti, adoro a música das bandas de tuaregues, como o Tinariwen. Como eu só toco rock e canto rock o tempo todo, não costumo ouvir muito rock em casa. Prefiro outras coisas. World music é geralmente o que ouço toda noite em casa. Quando você é frontman de uma banda, você tem que drenar energia de tudo que é bom no mundo, de toda a boa música.



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