sábado, março 2, 2024

A babel em que todo mundo se entende

Portuñol. Still: Pedro Clézar/ Divulgação
A expressão "portunhol" sempre foi usada, em geral pejorativamente, referindo-se a um espanhol mal falado, quase sempre fruto da displicência de brasileiros que acham que a língua espanhola é apenas um português enrolado, no que se enganam redondamente. O tema foi levado a sério a partir do início dos anos 2000, por iniciativa de um grupo de escritores encabeçado pelo...

De quando o blues sacode a metrópole

  Os nomes históricos do blues estão quase todos desaparecendo: B.B. King morreu, Dr. John morreu, James Cotton morreu. Por isso, quando um cara como o bluesman Roy Rogers, de 68 anos, está de passagem pela cidade, é bom tirar um tempo que você provavelmente nem tem para vê-lo, porque ele é uma ponte entre mundos. Roy tocou com John Lee...

Pressão & frisson nos Brasis

Dos discos que têm me interessado, falo do que mais me emociona. Aquele que me pegou pelo ouvido, pelo quadril, pelo coração. Um dos álbuns brasileiros mais aguardados dos últimos tempos: Treme, de Gaby Amarantos. Nem vou citar o fato dele ter tido por trás de si um marketing ímpar ou de que, há um ano, talvez, seria impensável todo...

“Delta Estácio Blues” é áspero, incômodo, incomodado

Juçara Marçal
Delta Estácio Blues expande o lado autoral do trabalho de Juçara Marçal, que até este momento atuava de modo bissexto como compositora, em parcerias como "Canto pra Aurora" (2013, com Chico Saraiva), "Jatobá" (2007, com Kiko Dinucci), "Enquanto as Freiras Se Divertem" (2017, com Edgar),"Lua Ciranda" (com Alice Coutinho, gravada em 2019 por Lia de Itamaracá), "Rompeu o Coro" (2020, composição coletiva gravada por Marcelo D2) ou...

A Bienal volta aos braços do povo

Seria fácil enveredar por um caminho de controvérsia instantânea, cravando que a 34ª Bienal de São Paulo é a melhor edição da história. Mas é curioso: a própria formatação da exposição, múltipla, descentralizada e tentacular, impede essa facilidade (que seria sobretudo farsesca, porque só vi umas 15 edições e já são 70 anos de história). A tentação se dá...

Manu Chao serve ‘Garçom’ de Reginaldo Rossi

Como foi o show de Manu Chao no Cine Joia, na noite desta terça-feira, 14 de fevereiro

Quinteto Violado celebra a transversalidade da música no Blue Note

Numa bela noite fria típica da Avenida Paulista, coração das manifestações, das celebrações de títulos futebolísticos, dos barões das finanças, do nascimento de um golpe de Estado de 20 centavos, o Quinteto Violado fez nessa quinta-feira, 29, seu show em comemoração aos 50 anos de carreira do grupo (que na verdade são 52, com 56 discos). Calhou de acontecer...

Em busca de Cat Power

Na tarde desta quarta-feira, 12, rumamos para o Centro Esportivo Tietê, perto da Praça 14 Bis, perto do Anhembi, não muito longe do antigo Carandiru, bem perto do poluído rio Tamanduateí, perto do Bom Retiro (onde meu irmão Jack ciceroneava a máfia coreana), e quase no cruzamento onde um dia caiu a roda do meu Fiat 147 enquanto eu...

Madeleine reafirma a condição de cult no Bourbon

“Vocês sentiram falta da música ao vivo? Dos artistas, do público, de se reunir em lugares como esse? Muito bem, porque é isso que vai salvar o mundo!”. Foi assim, falando em português (advertência: minhas anotações podem ter perdido a acuidade por conta do chope), que a cantora norte-americana Madeleine Peyroux fez um único e disputadíssimo show em São Paulo...

Chico e Monica, a revanche perfeita

Em novo espetáculo, Que tal um samba?, Chico Buarque divide a cena com a cantora paulistana Monica Salmaso e examina o recrudescimento da intolerância