Aracy de Almeida,

O primeiro LP que comento no Álbum não é um LP. O formato estava sendo inventado e ainda não tinha chegado ao Brasil, mas já havia o hábito de agrupar vários discos de 78rpm (duas músicas cada) numa capa de formato não exatamente quadrado, parecendo um livrinho, ou um álbum fotográfico, de recordações, de família. Achei justo começar com Aracy de Almeida, em dois desses objetos lançados em 1950 e 1951 pela Continental, com regravações de clássicos de Noel Rosa, morto 13 anos antes. A capa foi feita por um certo Di Cavalcanti.

É engraçado (e um tanto melancólico) ouvir, no apogeu da era do streaming, Aracy cantando tristemente que “o cinema falado é o grande culpado da transformação” e “as rimas do samba não são I love you/ e esse negócio de alô/ alô, boy/ alô, Johnny/ só pode ser conversa de telefone”. O nome do samba era “Não Tem Tradução” (1933), passado, presente e futuro, tudo junto e misturado.

Noel e Aracy cairiam para trás se soubessem que em 2021 até o cinema falado (que dirá o mudo…) estaria ameaçado de extinção e que o inglês infesta feito vírus cada frase desta nossa língua que “já passou do português”.

Noel já cairia para trás ali mesmo, em 1950, ao perceberam que não existia tradução em brasileiro para “disco de longa duração” ou coisa parecida. Nem para EP, CD, DVD, MP3, download, streaming… Não tem tradução?

 

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