Quinta-feira, 15 de março de 2012. Toca o meu celular, poucos minutos depois da publicação do tópico “EXCLUSIVO: O Ecad fala” por este FAROFAFÁ.

Ligação de Brasília, código 61. Número do Ministério da Cultura (MinC).

Do outro lado da linha, está Fabio Grecchi, um dos muitos assessores de imprensa do ministério sob Ana de Hollanda.

Eu havia solicitado uma entrevista com a ministra, assim como havia solicitado o mesmo com Gloria Braga, superintendente do Ecad.

Não havia chegado a enviar perguntas para o MinC, como havia feito com o Ecad (por pedido do próprio escritório de arrecadação de direitos autorais). Em ambos os casos, tinha a intenção de repercutir a reportagem “EXCLUSIVO: Ana de Hollanda no país do Ecad“, assinada aqui mesmo por Jotabê Medeiros, também repórter do jornal “O Estado de São Paulo”.

O diálogo travado entre MinC e FAROFAFÁ foi breve.

Fabio Grecchi: O ministério não vai se pronunciar.

Pedro Alexandre Sanches: (Silêncio) Por quê?

FG: (Silêncio.) O ministério não vai se pronunciar. Acha que é uma questão vencida. (Silêncio.) Ok?

PAS: (Silêncio.) Ok…

FG: Obrigado, um abraço.

E desligou.

É desnecessário explicitar o desapontamento com o desinteresse tanto do Ecad quanto do MinC em dialogar com este site independente, mas, principalmente, em responder às graves denúncias que levantamos, sobre supostos e discretos favorecimentos do ministério ao escritório ao qual a ministra está vinculada, como compositora.

Talvez fosse porque somos jornalistas independentes trabalhando num site independente, e não num veículo da “grande” imprensa – como há poucas semanas havia esfregado em meu nariz Mario Canivello, poderoso assessor de imprensa do irmão mais famoso da ministra, Chico Buarque.

Mario reclamava,  então, de uma reportagem free-lance que publiquei no “Estadão” em 2 de fevereiro passado, sobre a reiterada interdição de Chico a “Roda Viva”, peça musical de sua autoria, que foi encenada em 1968 por José Celso Martinez Corrêa e desde então sumiu do mapa. Hoje “Roda Viva” é até nome de programa jornalístico da TV Cultura, mas de seu conteúdo ninguém sabe, ninguém viu.

Eu havia firmado no início do ano um trato informal com o “Estadão”, de publicação de textos sobre música. O acordo foi interrompido logo após a publicação desse texto, sem justificativas convincentes (Canivello fez “escarcéu” no “Estadão”, segundo me escreveu um editor da publicação) – e, acredito, sem a mínima demonstração de respeito do jornal pelos meus 18 anos de profissão (dez anos passados dentro da “Folha de São Paulo”, quatro na revista “CartaCapital”).

Sigo impactado por essa sequência desconcertante de acontecimentos. Como jornalista tarimbado, mas principalmente como cidadão, não paro de me perguntar: por que não mereço o respeito ou pelo menos a atenção do “Estado”, do Ecad, do MinC, do governo do Brasil?

De mãos atadas, eu e Eduardo Nunomura (ex-“Folha”, ex-“Veja”, ex-“Estado”), meu parceiro de FAROFAFÁ, nos mantemos à espera de respeito e atenção, mas, principalmente, de respostas a denúncias graves (repito) e até agora não desmentidas nem contestadas, nem por Ecad, nem por MinC (ao que eu saiba, Chico tampouco contestou o conteúdo da reportagem sobre “Roda Viva” – que, cá entre nós, não tinha mesmo nada de mais).

Particularmente, me intriga enormemente a expressão “questão vencida”, utilizada pelo assessor de imprensa do mais importante órgão institucional da cultura brasileira para recusar a entrevista desejada.

Me pergunto, e FAROFAFÁ pergunta a todos que leiam estes parágrafos: como uma questão pode estar “vencida” se até o momento em que escrevo este texto (na madrugada de sábado 17 de março) ela permanece virgem, intocada, inexplorada por “Estado”, “Folha”, “O Globo”, “Veja”, “Época”, “Istoé”, “CartaCapital” etc. (e, portanto, desconhecida dos leitores desses veículos)?

Pasmo: como essa questão permanece intocada, mesmo tendo sido a ministra Ana de Hollanda convocada a prestar esclarecimentos sobre o tema no Senado, no próprio dia da publicação da primeira reportagem (segunda-feira 12 de março)? Mesmo essa convocação tendo sido noticiada, naquele mesmo dia, pelos portais de “Estado”, Globo, Record, “Folha” etc.?

Perplexidade gera perplexidade: como um assunto potencialmente explosivo para a cultura (e os cadernos culturais) do Brasil permanece intocado por “Estado”, “Folha”, “O Globo”, “Veja”, veículos que passaram o ano de 2011 inteiro sedentos e famintos por derrubar ministros do governo Dilma Rousseff todo mês?

[E, inspirando-me agora no estarrecedor caso Joseph Kony: por que você, que é independente, anônim@, oprimid@, fora-do-eixo, blogueir@ progressista etc., não nos ajuda a difundir esse paredão de (des)informação mais maciço que o bloqueio dos EUA a Cuba e que o bloqueio do governo cubano a seus dissidentes?]

Por que a “grande” mídia, que sangrou o ministério de Dilma durante grande parte de 2011, não demonstra o menor interesse, desejo ou tesão em derrubar a aparentemente frágil irmã mais tímida de Chico Buarque?

Essa é a pergunta que eu e FAROFAFÁ deixamos aqui no ar, à espera de sugestões e da colaboração de TODOS para solucionar um enigma artístico-político-jornalístico digno de Agatha Christie.

Boa-noite, e boa sorte, PARATODOSnós.

 

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