pois então. de lá da janela da minha terceira torre, onde (quase) nada acontece, pude observar o balé da história se desenrolando diante de meus olhos, dançado pelos freqüentadores deste blog que compuseram o eleitorado animado do pleito das torres trigêmeas. sorry, rapaziada, mas o resultado numérico dá lula disparado, com quase o dobro dos votos não-lula e quase o triplo da desabitada torre número 3, aquela que queria dizer “vou ser presidente do meu corpo, governar, anarquizar”.
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mas, vocês sabem, esse é o resultado que menos importa (até porque capta um momento confuso, que não há de ter nada a ver com o momento real e crucial de daqui a um ano e pouquinho). de lá da torre 3, ou melhor, daqui de onde não há mais torres, eu vi tanta, tanta, tanta coisa. e resolvi colocar a população do blog na roda, brincar um tiquinho de elaborar resultados eleitorais qualitativos (danem-se os quantitativos do mundo lá fora, se as pesquisas manipuladoras da hora querem dizer que eu sempre fui, sou e continuarei sendo minoria). voltei para fazer o unidunitê, salamê, mingüê. então lá vão minhas conclusões, na velha fórmula de pílulas, pilulitos, protein pills, mastiguinhas.
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dentro da torre antilulista, a caixa de comentários formulou uma briga colateral de torres “inimigas”, centralizada num confronto entre marcio, recém-chegado ao blog, e sérgio martins.
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a discussão no front antilulista foi essencialmente estética, polarizada entre os que acham que clara nunes é a melhor cantora da história do brasil e os que acham que clara nunes não é a melhor cantora da história do brasil.
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dentro da torre lulista, formulou-se outra briga colateral, com ares de central, cuja temperatura subiu no confronto entre a torre-macho dunha e a torre-fêmea madamada.
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a discussão na fronteira lulista foi essencialmente política, embora não se desse em conta de ser contra lula ou a favor de lula. os que se colocavam em batalha eram, segundo diziam, partidários resistentes de lula.
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mesmo assim, a torre-macho defendia lula, contra supostos “ataques” da torre-fêmea. outras torrezinhas adentraram o recinto, tendendo mais a defender ou mais a questionar lula, de acordo com parâmetros de gênero e sexo (pedro mais pró-lula, márcia mais antilula).
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enquanto isso, permanecia desabitada a terceira torre, de fusão entre vários pólos ditos opostos – masculino & feminino, pedro & vange, esquerda & direita, contra & a favor, estético & político etc. etc. etc.
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a guerra que lotou a torre antilulista foi, quase integralmente, constituída por pessoas que se dizem pró-lula (a exceção é o sérgio, cuja posição não conheço).
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márcia, lulista radical, abriu a lotação antilula. a bomba que ela elegeu para detonar o que ela mesma defende foi tríplice, composta de três mensagens a respeito de zezé di camargo & luciano. usou, portanto, aliados de lula para combater lula, algo que nem ela desejava fazer. mas foi tríplice, tipo terceira torre (mais na forma que no conteúdo).
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na torre antilulista, só apareceu um antilulista declarado, o leo. mas, numa linda e estranha simbologia, leo apareceu na torre antilula para discutir estética, não para bombardear política.
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é sempre bom repetir: lulistas lotaram a torre antilula, mas antilulistas não deram o ar de sua graça na torre pró-lula. o que me leva a concluir que os lulistas, com justa razão, andam em pé de guerra com eles mesmos. mas também me leva a concluir que os lulistas são muito mais maleáveis, flexíveis e democráticos que os antilulistas. disso eu já tinha certeza, desde pelo menos 1 de janeiro de 2003.
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essa certeza só se confirma, dia a dia, pela retórica antilulista que, segundo marilena chauí bem filosofou n'”o silêncio dos intelectuais”, está despencando nos dias de hoje para princípios nazifascistas, de que (trazendo para palavras minhas) nada deve ser combatido por mim com maior ferocidade do que o que pareça, a mim, diametralmente oposto ao que eu sou. tipo americanos versus iraquianos, homens contra mulheres, heterosexuais contra gays, brancos versus pretos, tropicalistas & sambistas, tucanos against petistas etc. etc. etc.
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leo, sérgio e marcio nunca saíram da torre 1. cat, rubens passaram apenas na torre 2, enquanto dunha fixou residência definitiva na mesma torre. vange se manteve, soberana e co-autora, na torre 3.
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poucos eleitores brincaram de pegar o cipó e ir visitar a torre vizinha. mauricio apareceu de passagem, mas foi pioneiro em se engajar no jogo e brincar de morar, ao mesmo tempo, na torre 2 e na torre 3. talvez tenha sido o único (não à toa é meu parente, hehehehehe).
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marcia acabou andando por todas as torres, feito cigana nômade – mas só depois que a provoquei em ambiente extra-blog. eu migrei feito peregrino (ou tarzan caricato de cipó em cipó) de torre em torre – mas acho que não conto, porque estou desempenhando o “anfitrião”. madamada demorou, mas também brincou de bem-humoradíssima amarelinha na torre 1 – mas o fez falando de politica, não de estética.
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enquanto isso, na torre 2, a torre pró-lula, ninguém se atrevia a falar de estética. afoitos, dunha e madamada lotaram a guerrilha pró-lulista de relatórios, documentos, provas do “crime”.
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no campo estético, marcio interpretou o afoito na torre 1, trocando de posição tantas vezes que acabou por irritar seu duplo-feminino márcia e provocar uma segunda guerra de torres (& sexos) em campo minado antilulista.
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supondo a razão de márcia-menina contra marcio-menino, marcio teria no entanto alegorizado o eleitor brasileiro típico, aquele que oscila entre opiniões próprias e entre acompanhar o rebanho para qualquer lado que o rebanho resolva ir. aquele que tende a acreditar em tudo que “a mídia” diz, mesmo que o que “a mídia” diz não tenha nenhum sentido lógico. lembra aquele cara (intelectual ou povão) que odiava o lula, virou lula de carteirinha há dois anos e meio e já é antilula desde criancinha de novo (atenção, não conheço marcio e isso não é um juízo a respeito dele – o cara é novo aqui, não conhece direito o “governo” e não tem mesmo como tomar posições instantâneas a respeito de nada).
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as três torres, miraculosamente, ainda permanecem de pé!!!, construídas pelas opiniões pessoais valiosíssimas de cada habitante que compõe uma torre, duas torres, três torres…
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gilberto gil, alô, alô, realengo: amarradão na torre dá pra ir pro mundo inteiro? onde quer que eu vá no mundo eu vejo a minha torre? é só balançar que a corda me leva de volta pra ela? (estou citando “sandra”, uma de minhas prediletas do ministro) ou tudo já mudou e as torres já são feitas de algodão?
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as torres, como as conhecemos, são feitas de cimento. mas e a massa que mora nas torres, o que é que quer? a massa quer mudança? qual mudança? fala, mangueira!

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