dia importante, o de hoje, não?
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o primeiro choque, quase surreal de tão improvável, veio logo cedo: dona eliana tranchesi, da daslu, foi presa sob suspeita de envolvimento em crimes de sonegação fiscal, contrabando, formação de quadrilha, falsificação de documentos… se a excelentíssima cidadã for inocente e este for mais um episódio da voga denuncista que varre a república, péssimo para todos nós. se seu caso for à mídia com o furor com que todos os outros têm ido, dona tranchesi não será a primeira condenada por suspeição, e não por prova concreta – e isso é (mais) uma vergonha para as instituições brasileiras, como têm sido, de resto, os cheques em branco recentemente oferecidos a (e/ou roubados de) bob jeff, zé dirceu, genoino, gushiken, delúbio, marcos valério, os petistas da mala, os pefelistas da mala, a igreja universal do reino de deus…
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se a moralidade pífia da daslu vem à tona, precisamos começar a pensar também em alguns dos gerentes da daslu, como donata meirelles (mulher do publicitário nizan guanaes, orquestrador das campanhas eleitorais do psddb) ou sofia alckmin (filha do governador tucano de são paulo, o geraldo, que pessoalmente conferiu peso político à faustosa inauguração do novo castelo nababesco da daslu). os atuais incorporadores da moralidade imaculada em meio ao lodaçal começarão a entrar na dança dramática do denuncismo? é péssimo para todos nós se acontecer, mas ao menos é um pouquinho mais democrático do que vinha sendo até aqui.
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afinal, os ricos desde criancinha também roubam? ou não?
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e blefar? os ricos também blefam? elio gaspari parece achar que sim, como transparece seu artigo “há um fino golpe no ar”, publicado hoje, n'”o globo” e na “folha”. ele é o primeiro jornalista da “grande mídia” que vemos afirmar com todas as letras que há, sim, vieses golpistas no brasil de 2005 – golpistas por parte das famigeradas elites, sejamos claros. o gaspari começou escrevendo o seguinte, antes mesmo de acontecer a blitz da daslu (a menos que toda coincidência seja mera semelhança): “é golpista a articulação de uma renúncia de lula à reeleição. embrulhada numa sacola da daslu (a bolsa família dos tucanos), ela funcionaria assim” [etc. etc., lê tudo lá se não tiver preguiça]. este 13 de julho foi mesmo um dia chocante.
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mais pequenas importanciazinhas, em meio à balbúrdia (hoje se falou até em “bestas-feras”, credo). temos dois novos ministros, e os dois são caras interessantíssimos. fernando haddad é o novo gestor da educação brasileira, por indicação de seu antecessor, tarso genro – o ministério da educação vinha sendo um centro de excelência deste governo atual (criando por exemplo bolsas para alunos pobres, o que arrepia muito sujeito que adora fazer pose de bonzinho por aí), tudo indica que continuará sendo. sei menos sobre o ministério da ciência e tecnologia, mas há fartas indicações de que o mesmo se pode dizer do físico sérgio rezende, novo titular da pasta. são, ambos, caras técnicos, especialistas, conhecedores, não-fisiológicos. os três nomes peemedebistas seguem sendo as ilhas incômodas de fisiologia e barganha política na reforma ministerial. mas, com cientista gerindo a ciência e educador gerindo a educação (às vezes é bom quando nada se mistura), acho que a aritmética não vai mal para quem quer o bem do brasil.
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sei lá o que significa e que peso tem a pesquisa eleitoral que indica que a popularidade de lula não só não caiu, como também subiu após a revoada das águias, das pombas de guerra e dos abutres. mas é impressionante como a “classe pensante”, imprensa à frente, se desestrutura e se reestrutura diante de um treco desses. é incrível como o tom agressivo diminuiu repentinamente nos jornais. na “folha” de hoje, por exemplo, não havia nenhuma, nenhuma, nenhuminha carta de leitor xingando o lula, após uma série interminável de quase 100% de xingos e ofensas – o que houve, os (e)leitores se calaram subitamente, após o resultado da pesquisa?
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não, nada disso dá conta da gente entender o que governa tamanhos vaivéns. eu não consigo entender. será possível que o medo da soberania do povo “acalme” os ânimos exaltados da mídia?
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falando no “painel do leitor” me chamou atenção a carta da superleitora odete miranda (que também é médica cardiologista, professora e integrante do comitê de ética em experimentação animal da faculdade de medicina do abc), em reação a um editorial produzido pela “folha”. olha só o que é que ela diz:
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“a natureza é cruel, e nós, humanos, damos continuidade e até estimulamos a perpetuação dessa crueldade. escreveu este jornal em editorial em 11/7: ‘a natureza é cruel. essa é uma lei universal (….) reconhecer esse fato deveria ser um pré-requisito para os defensores de direitos dos animais’. essa posição demonstra que a folha compactua com as barbáries da sociedade em que vivemos e está inferindo que nada há a fazer. nega a educação, o conhecimento, a ciência e toda a evolução benéfica alcançada até o momento. algumas importantes informações: universidades como johns hopkins, mayo medical school, harvard e outras centenas (www.pcrm.org) não se utilizam de animais para ensinar fisiologia, farmacologia, bioquímica, técnica cirúrgica e psicologia. houve a substituição por manequins, simuladores, vídeos interativos, cadáveres de animais quimicamente preservados e outras técnicas. conforme pesquisa realizada por kottow relatada no livro ‘a formação ética dos médicos – saindo da adolescência com a vida (dos outros) nas mãos’, de sérgio rego, ‘durante os estudos de medicina, se produz uma progressiva erosão da atitude humanista e espontaneamente crítica, sendo substituídas por um profissionalismo mais respeitoso de normas e códigos’. diz ainda o autor que o cinismo costuma ser identificado como um dos efeitos da educação médica, manifestando-se como uma ‘preocupação desinteressada pelo paciente’. até quando vamos acreditar que, para ter evolução na medicina, é preciso matar e torturar seres diferentes de nós?”.
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falando com serena sobriedade sobre ética, educação, humanismo e tolerância mútua entre “seres diferentes”, odete miranda desnudou a fragilidade de uma defesa anacrônica e arcaica travestida de aparente autoridade e conhecimento de causa. denunciou uma ignorânica e um abuso, sem um pingo de agressividade.
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acreditando que é nos detalhes tão pequenos que a gente deixa escapar quais são nossas preocupações centrais (é só ver lula se embananando com palavras e conceitos com o suposto objetivo de defender democracia para o haiti), proponho uma brincadeira: e se transpusermos a preocupação com a vivissecção de animais para a carnificina política que hoje sangra o brasil? as mesmas palavras anti-intolerância da professora não continuariam válidas? a natureza dos homens (que são animais) é cruel e (auto)destrutiva? é preciso matar e torturar seres diferentes de nós (mas tão humanos quanto a gente) para que continuemos acreditando que estamos vivos?
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enquanto cada um cuida da própria pele, nos vêm de volta à imaginação as peles caríssimas da daslu, sonegadas, será?, das raposas, dos ursos e dos jacarés… é, hoje foi, mesmo, um dia importante. estado de choque, gata!

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