Eta, eta, eta, diretas (*)

O produtor cultural Ivan Cosenza de Souza, de 47 anos, vende camisetas com ilustrações pró-democracia numa banquinha improvisada na praia de Copacabana, no domingo brumoso de 28 de maio. Filho do cartunista Henfil (1944-1988), ele aproveita o show coletivo de música brasileira em prol do restabelecimento de eleições democráticas pós-golpe de Estado para comercializar estampas criadas pelo pai há...

As cores vivas de Criolo

Pedro Alexandre Sanches: No disco Nó na Orelha já tinha um samba, "Linha de Frente", que sempre me lembrou Clara Nunes, "Tristeza Pé no Chão" (1973). Agora você dá um salto pra fazer um disco inteiro de samba. Por quê? Criolo: De um tempo pra cá, 2002, 2003, comecei a escrever um tanto mais de samba. A emoção desaguava em samba. E em especial...

Criolo: “Não vai se sustentar”

"Então pare de correr na esteira e vá correr na rua", cantou o rapper paulistano Criolo na tarde do domingo 28 de maio, trepado num trio elétrico no asfalto em frente à praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Nas redes sociais e nas ruas, talvez até mesmo nas esteiras, não se debate muita coisa além de política no Brasil-simulacro de 2017. Uma nova etapa de...

Mestre Fuleiro é chama

  Carioca do Andaraí, Antônio dos Santos (1912-1997) foi um dos fundadores do Império Serrano e se destacou como diretor de harmonia da escola de samba do Morro da Serrinha. Sob a alcunha de Mestre Fuleiro, encheu a avenida de música e vida e assinou com Dona Ivone Lara e Tio Hélio o canto de passarinho (portanto, de liberdade versus escravização) "Tiê". O texto "Uma escola de samba",...

Liberdade, um “mau” exemplo

"Uma escola que cultua a liberdade não tem lugar: seria um mau exemplo." Assim a pesquisadora Rachel Valença, co-autora do livro Serra, Serrinha, Serrano - O Império do Samba, sintetiza as tramas que afastaram o Império Serrano, nas últimas décadas, do clube seleto das escolas de samba com lugar garantido no topo do Carnaval globalizado do Rio de Janeiro. Na entrevista...

Uma escola de samba

No sábado de Carnaval de 2017 (*), uma escola de samba do segundo grupo carioca desfilou um enredo denominado Meu Quintal É Maior do Que o Mundo, em homenagem ao poeta pantaneiro Manoel de Barros. A escola está fora de moda (como talvez também esteja Manoel de Barros, nestes tempos de Roberto Freire não-ministro da não-Cultura), mas vive uma...

Doria Jr. orienta o carnaval

Era uma crônica anunciada desde o início desta década, em episódios relativamente desorganizados como o Manifesto Carnavalista e o Existe Amor em SP. Em 2013, Fernando Haddad (PT) assumiu a prefeitura de São Paulo e deixou o bicho crescer. De cerca de 200 blocos de rua em 2014, a cidade passou a abrigar cerca de 300 no ano passado, especula-se que com maior...

Para nortear a festa

Elza Soares quis gritar um "fora Temer" pela fresta da festa de abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro? "Garota de Ipanema", "Aquarela do Brasil" e "País Tropical" são cartões postais sonoros inescapáveis para uma festa imodesta como esta? Anitta tem o direito de representar a música popular brasileira? O funk carioca e o tecnobrega paraense mereciam estar ali no epicentro do Maracanã...

O idioma da fresta, Olimpíadas, Rio de Janeiro,

Em poucos dias de Olimpíadas no Rio de Janeiro, a mídia internacional já exibe perplexidade e incômodo frente ao comportamento das torcedoras brasileiras nas arenas de competição. É o que expõe na manhã da primeira segunda-feira olímpica, por exemplo, uma reportagem da filial local da BBC (British Broadcast Corporation, a TV pública/estatal inglesa, não uma Rede Globo, mas uma TV...

Elza Soares contra os homens

Os versos são de Vinicius de Moraes, o poetinha ex-diplomata que nunca chegou a ser o mais progressista dos brasileiros. A música é de Baden Powell, que no final da vida extirpou a palavra "saravá" de suas canções e substituiu os antigos cantos de candomblé pela religião evangélica. Transtornado por Elza Soares, o "Canto de Ossanha" (1966) de Baden e Vinicius constituiu-se, para boas entendedoras,...