domingo, julho 5, 2020

Fogo e alma

Algumas peças da exposição. Foto: Elizabeth Bezerra/ CCMPMA
Conhecida desde a Grécia antiga, a encáustica é uma técnica mista que alia materiais diversos como cera, pigmento e areia em sua composição – a palavra deriva de enkausticos, que significa gravado a fogo: com o calor as cores se fundem, criando diversas nuances. Em cartaz no Centro Cultural do Ministério Público do Maranhão, a exposição “Identidade: encáustica da...

Após censura, CCBNB cancela toda a programação em Fortaleza

  Após o episódio em que censurou obra dos artistas Eduardo Bruno e Waldírio Castro, revelada com exclusividade pelo Farofafá no dia 28 de maio, o Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil (CCBNB) em Fortaleza (CE), aprofundou sua crise e cancelou essa semana toda sua programação artística. Todos os artistas que tinham projetos em andamento ou preparavam shows, concertos, exposições...

Casaldáliga, mártir vivo

Um bispo contra todas as cercas: a vida e as causas de Pedro Casaldáliga. Capa. Reprodução
Se para quem escreve biografias de ídolos da música ou do cinema, a tentação de cair em uma espécie de hagiografia já se manifesta quase naturalmente, sobretudo se o biógrafo admirar o biografado, imagine para quem resolve escrever a história de vida de uma liderança religiosa... A jornalista Ana Helena Tavares assumiu a tarefa de contar a trajetória de Dom...

Bumba-memória

O bumba-meu-boi como conheci. Capa. Reprodução
Há uma comunhão entre o alumbramento da infância e a capacidade de escrita em dona Zelinda Lima, algo que tornamos a perceber em "O bumba-meu-boi como conheci" , que ela lança hoje (8), às 19h, na Sala de Exposições do Condomínio Fecomércio (Av. dos Holandeses, Jardim Renascença II), dentro da programação da 14ª. Aldeia Sesc Guajajara de Artes. Do encantamento...

Nada é por acaso

O poeta Antonio Carlos Alvim. Foto: Eduardo Júlio
Para certas coisas não há tempo certo, acontecem quando e como têm que acontecer. Nada explica o, até aqui, ineditismo em livro do poeta Antonio Carlos Alvim, um dos mais talentosos de sua geração, a Akademia dos Párias que agitou a cena da ilha de São Luís, capital do estado do Maranhão, que tirou a gravata da poesia e...

A leveza do berro sem limite para o risco

Júlia Emília em sessão de autógrafos de "Quitéria e Inês". Foto: divulgação
A dramaturgia de Júlia Emília é marcada por uma entrega rara. A própria artista carrega em si o talento de transformar a própria dor em força e dar voz a personagens tão interessantes quanto, infelizmente, desconhecidas. Assim é em "Quitéria e Inês" (Quintal Edições, 2019), seu mais recente livro-peça – que encerra a trilogia iniciada com "Meninilha" (2012) e...

A revolução mora ao lado

Ninguém está vendo a revolução. Ela acontece a poucos metros do posto de trabalho de Michel Temer e do Congresso Nacional sitiado pelas bancadas da bala, da Bíblia, do boi. Com entrada franca, o território livre (e totalmente cercado por grades) se chama Favela Sounds. Planta-se na Esplanada dos Ministérios, entre a catedral católica e o Museu Nacional de Brasília,...

A idade da liberdade

"Nascimento de um instante e Aurora". Frame. Bruno Graziano. Reprodução
O guitarrista da Nação Zumbi, Lucio Maia, após projetos paralelos como Maquinado ("Homem binário", de 2007, e "Mundialmente anônimo: o magnético sangramento da existência", de 2010), "AlmaZ" (com Seu Jorge e Antonio Pinto, de 2010), além de dois discos com o Soulfly ("Soulfly", de 1998, e "Tribo", de 1999) volta a nos surpreender. Desta feita, e em plena quarentena, torna...

O disco de protesto de Lucas Santtana

"O Céu É Velho Há Muito Tempo" (2019)
Baiano de Salvador, Lucas Santtana faz de seu oitavo trabalho, O Céu É Velho Há Muito Tempo, um disco-manifesto contra o estado de coisas no Brasil de 2019 e o nosso conformismo em relação a isso. Quase todas as canções autorais mandam recados diretos ao neofascismo instalado feito erva daninha nas entranhas do Brasil, e mesmo "Todo Se Transforma", do uruguaio Jorge...

O fantástico da Baixada

Memórias do tempo. Capa. Reprodução
Cravo "o fantástico" na manchete para resistir à tentação de escrever de vez "o Gabriel García Márquez da Baixada", embora saiba da admiração de Elizeu Cardoso pelo colombiano e da influência daquele em seu fazer literário. Mas não é este resenhista quem vai empacotar e rotular o pinheirense e entregá-lo de mão beijada aos leitores. Elizeu Cardoso é artista multimídia....