quarta-feira, fevereiro 26, 2020

Adeus a Brennand

Morre no Recife aos 92 anos Francisco Brennand,
O Recife será alguma cidade submersa e os escafandristas tentarão decifrar os vestígios de estranha civilização que floresceu no bairro da Várzea, no jardim de esculturas de Francisco Brennand, e sua conclusão talvez seja inevitável: ali viveu um fabricante de sonhos, um funileiro do fabuloso, um engenheiro do delírio. Os totens, as esculturas e os brasões espalhados pela Oficina Cerâmica...

A ciranda infinita de Lia de Itamaracá

Lia de Itamaracá
Patrimônio cultural pernambucano e brasileiro, a cirandeira Lia de Itamaracá está de volta, aos 75 anos, com o CD Ciranda sem Fim, incrementado por produção eletrônica/manguebit de DJ Dolores e Ana Garcia. "Eu amo a falta/ de silêncio/ do mar/ Odoyá/ na maré cheia/ eu canto/ pra levantar/ na maré seca/ eu deito/ Odoyá", começa a faixa "Falta de Silêncio". Trata-se de um canto de trabalho...

Os voos da morte segundo Bellocchio

Pierfrancesco Favino e Maria Fernanda Candido
FILMAÇO DE MARCO BELLOCCHIO RECUPERA UMA MEMÓRIA OBSCURA DE ALGUNS MÉTODOS DA DITADURA O novo filme do cineasta italiano Marco Bellocchio, O Traidor, que representará a Itália no Oscar 2019, aborda de passagem um tema muito pouco aventado e muito menos investigado no Brasil: a possibilidade de o regime militar ter utilizado aqui uma estratégia de combate contra opositores políticos...

Heitor Villa Lobos e a música popular brasileira

Heitor Villa-Lobos
Professora da escola de música da UFRJ, Ermelinda A. Paz publicou Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira: Uma Visão sem Preconceito originalmente em 1987, ano que marcou o centenário de nascimento do maestro carioca Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Depois de 15 anos fora de circulação, o trabalho volta à tona pela editora Tipografia Musical, com foco nas relações do maestro...

Claudette Soares, a ovelha loira da bossa

Claudette Soares
A voz aveludada da cantora carioca Claudette Soares completa 82 anos (e 72 de carreira) e emoldura uma história plena de sobressaltos. "Princesinha do baião" quando iniciante, nas asas da moda lançada por Luiz Gonzaga, ela começou a gravar em 1954, viu a bossa nova surgir em 1958 e adaptou-se à novidade. Para estrear em LP, demorou tanto quanto a colega mais...

O sambalanço de Silvio Cesar

Silvio Cesar
"Ela cantou com alma, com coração, transformou minhas humildes canções em obras-primas." Assim o mineiro Silvio Cesar, hoje com 80 anos, reagiu ao disco Se Eu Pudesse Dizer Tudo Que Sinto, que Claudette Soares gravou em sua homenagem. Os dois artistas têm mais em comum do que esse disco, no qual ele canta com a anfitriã a bossa "Nós Dois". Silvio Cesar...

Raul Seixas não se decompôs

Raul Seixas em seu último show - Foto Norma Albano
Jotabê Medeiros está atordoado, depois de alguns dias de repercussão da face mais escandalosa de sua biografia do baiano Raul Seixas, Não Diga Que a Canção Está Perdida. Nos primeiros momentos, o livro foi menos falado por seu conteúdo que pela suspeita bombástica que elege não manter debaixo do tapete, de que talvez Raul Seixas tenha delatado o amigo e parceiro Paulo Coelho para...

51 anos de canções de Joyce

Em 2018, para comemorar 50 anos de atividade como cancionista, Joyce Moreno cometeu um pequeno ato político: regravou o primeiro álbum de sua história, Joyce, lançado originalmente em 1968. Poderia ser uma decisão banal, de mera efeméride, mas havia um propósito por trás. Em 1968, Joyce tinha 20 anos, e perpetrou, em pleno reinado do terror, um disco maduro e feminista apesar de...

Os afro-sacros

Em tempo de garrote na liberdade de expressão e perseguição religiosa, o álbum Obàtálá - Uma Homenagem à Mãe Carmen é pura resistência e garra. Concebido e liderado pelo Grupo Ofá, de música afro-sacra brasileira, Obàtálá é dirigido por Flora Gil, esposa e empresária de Gilberto Gil. O cantor baiano participa de quatro das 17 faixas devotadas aos orixás do candomblé, ao Terreiro...

Elton Medeiros (1930-2019)

"Uns com tanto/ outros tantos com algum/ mas a maioria sem nenhum." Novamente muito atuais, os versos de "Maioria sem Nenhum" (1966) foram lançados por Elton Medeiros em seu álbum de estreia, Na Madrugada, dividido com o jovem Paulinho da Viola, então com 23 anos. Elton tinha 36 anos, e cuidava de metade das faixas de Na Madrugada, em sambas como "Sofreguidão"...