segunda-feira, novembro 18, 2019

O homem que matou o senhor de engenho

Lá vem o homem que matou o homem que matou o homem mau. O rapper Rincon Sapiência, de 31 anos, partiu de uma formidável tradição para construir seu álbum de estreia, Galanga Livre. Primeiro houve o filme de faroeste O Homem Que Matou o Facínora (1962), de John Ford. Decalcado na versão de Ella Fitzgerald no mesmo 1962 para a antiga "Ol' Man Mose", de Louis Armstrong, o...

Jornalismo cultural em CoMa

Chamou-se Convenção de Música e Arte, sigla CoMa. Aconteceu em Brasília, Capital do Golpe, entre 5 e 7 de agosto de 2017. Pareceu propício o nome, pelo número assombroso de instituições que, no Brasil pós-golpe, se encontram em estado de coma. De torpor. De anestesia. De ataque epiléptico. De catatonia. Fui convidado para estar na mesa "Além da crítica cultural", que...

Ventando contra a corrente

Era um festival musical como qualquer outro, mas com algumas peculiaridades. A terceira edição do independente Vento Festival aconteceu entre 15 e 18 de junho no centro algo desvalorizado da cidade litorânea paulista de São Sebastião, o que amplificou e democratizou o alcance de público em relação às duas edições anteriores. Até 2016, o festival acontecia na elitizada ilha-município vizinha...

Caminhando a favor do vento

Setores majoritários da campanha e a mídia inteira preferem que o movimento seja apartidário, mas o Dom Quixote anônimo está de pé no largo da Batata, determinado a confrontar os moinhos movidos pelo vento que venta em efeito manada. O militante veterano vende a R$ 20 exemplares de um livro elucidativo sobre o golpe de Estado que em 1973...

Eta, eta, eta, diretas (*)

O produtor cultural Ivan Cosenza de Souza, de 47 anos, vende camisetas com ilustrações pró-democracia numa banquinha improvisada na praia de Copacabana, no domingo brumoso de 28 de maio. Filho do cartunista Henfil (1944-1988), ele aproveita o show coletivo de música brasileira em prol do restabelecimento de eleições democráticas pós-golpe de Estado para comercializar estampas criadas pelo pai há...

As cores vivas de Criolo

Pedro Alexandre Sanches: No disco Nó na Orelha já tinha um samba, "Linha de Frente", que sempre me lembrou Clara Nunes, "Tristeza Pé no Chão" (1973). Agora você dá um salto pra fazer um disco inteiro de samba. Por quê? Criolo: De um tempo pra cá, 2002, 2003, comecei a escrever um tanto mais de samba. A emoção desaguava em samba. E em especial...

Criolo: “Não vai se sustentar”

"Então pare de correr na esteira e vá correr na rua", cantou o rapper paulistano Criolo na tarde do domingo 28 de maio, trepado num trio elétrico no asfalto em frente à praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Nas redes sociais e nas ruas, talvez até mesmo nas esteiras, não se debate muita coisa além de política no Brasil-simulacro de 2017. Uma nova etapa de...

Respeita as mina!

Mulher-síntese, Elza Soares fornece a poderosa imagem final do videoclipe "Respeita", da compositora, cantora e atriz paulistana Ana Cañas. Mulher do princípio do mundo, Elza oferece os lábios marcados para pronunciar a última palavra dos dizeres finais da canção: "Respeita as mina, porra!". Publicado no YouTube em 13 de maio, dia de abolições, "Respeita" nasce como um marco da música brasileira...

Linn das Quebradas

"O seu corpo é uma ocupação", descreve-se em terceira pessoa a artista paulistana Linn da Quebrada, no vídeo BlasFêmea. Autora de sucessos em tempo de funk carioca (ou melhor, brasileiro) como Bixa Preta e Enviadescer, ela descreve a obra mais radical de sua ainda breve história como "experimento audiovisual", que engloba, mas não se restringe ao videoclipe da canção...

Tibério Gaspar (1943-2017)

"A gente corre na BR-3/ a gente morre na BR-3", cantou em tempo de soul music o rojão black power Toni Tornado, na rota para vencer a etapa nacional do Festival Internacional da Canção (FIC) de 1970 na Rede Globo. Em alta de popularidade, o ditador de plantão, Emílio Garrastazu Médici, foi apertar a mão do negão e lhe pedir que vencesse...