quarta-feira, setembro 18, 2019

Orgulho masculino

Com tom de voz suave e delicado e sob musicalidade luminosa, o moço de feições indígenas canta histórias não exatamente felizes. "Sempre costurando o peito, moço sem respeito, procurando paz/ já andei por vias tortas, me bateram portas, já penei demais/ tenho um maço de receios, não durmo direito, onde está meu lar?", canta Jaloo na lírica "Last Dance", décima faixa...

Proibidão do pancadão

O funk carioca foi silenciado na maior favela de São Paulo, Heliópolis. Pela polícia. A pedido de moradores. Há dois fins de semana, acabou o som alto que saía de potentes alto-falantes de carros estacionados nas ruas e vielas. Nada mais das cenas de adolescentes dançando ou bebendo madrugada afora, garantem os PMs. A paz voltou a reinar na...

Misturas periféricas

Há um ponto de encontro entre funk, forró eletrônico, tecnobrega, rap? E se misturar ainda as novíssimas tendências do neofunk e eletrofunk com os movimentos do reggaeton e freestyle? Tem e com data, hora e local já marcados. Anotem aí: domingo, dia 1 de abril, a partir do meio-dia na Rua Estudantes da China, 500, no Itaim Paulista, periferia...

Não há racismo em BBB

Na capa do álbum Financeiramente Pobre (2003), o rapper Slim Rimografia aparece de pé dentro de um ônibus. A divertida faixa de abertura compila conversas e ruídos típicos que se ouvem dentro de um busão. Por fim, o artista em pessoa assume o discurso, proferido em entonação decorada, bem conhecida de todo mundo que viaja de transporte coletivo: “Boa tarde, senhores passageiros,...

Funkeiro é assassinado. É o 4º em três anos

Jadielson da Silva Almeida foi assassinado na tarde de ontem, em São Vicente, litoral paulista. Cravejaram-lhe cinco tiros. A polícia diz não ter suspeitos. Mas MC Primo, celebrado funkeiro da Baixada Santista, não era um desconhecido dos policiais. Para os homens da lei, o jovem de 28 anos era um daqueles autores de letras que falam mal da corporação,...

40 anos com Leci Brandão

Numa manhã gripada de julho, caminho pela primeira vez nos corredores internos da Assembleia Legislativa do estado de São Paulo. Estou em busca de música, será que existe música na casa dos deputados? Num dos gabinetes, encontro três colegas de Jornalistas Livres, o Rafael Vilela, a Ísis Vergílio, o Christian Braga, que já chegaram para acompanhar e gravar a entrevista com...

O secretário, o posto de gasolina e o funk

Em plenária, mais de mil pessoas levaram suas demandas ao secretário de Cultura de São Paulo, o ex-ministro Juca Ferreira, que prometeu diálogos permanentes com a classe artística Uma mulher da plateia, sem microfone, gritou: "Na periferia só tem posto de gasolina e funk." O ex-ministro e agora secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, continuou a falar. E falou por...

Olha o kit

MC Dedê nasceu em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo. Ele tem mais Orkuts do que a maioria tem de amizades no Facebook. Faz at três shows por noite, a 150 reais cada O forró eletrônico destronou o de pé de serra. O tecnobrega fagocitou o carimbó. Em territórios partidos como as grandes capitais brasileiras, movimentos vêm dividindo...

Chão de estrelas

Em alguns lugares, ouvi ou li que esta Virada Cultural foi um fracasso. Pouca gente pela rua, espetáculos esvaziados, problemas de estrutura. Uma grande bobagem. A Virada Cultural de 2015 me lembrou as duas primeiras versões da Virada, em 2005 e 2006. Famílias inteiras pelas ruas, rolezinhos de amigos aos borbotões, arrastões que não chegaram aos dois dígitos, banheiros...

Reflexões contraditórias sobre funk-ostentação

O funk-ostentação é hip-hop. Não estou dizendo que o hip-hop resume-se à ostentação. Mas que o funk-ostentação tem a ver com a tendência do rap que glamoriza o estilo PIMP (Cafetão/Proxeneta). O PIMP é o estilo gangsta na versão século XXI, que renovou e reatualizou a linhagem iniciada nos fins dos anos 1980 por Ice T, ampliada por 2 Live Crew, aprofundada por N.W.A., aprimorada...