Nome mais cintilante da nova geração de cantores de jazz, José James revela que Michael Jackson e Prince foram decisivamente influentes em sua música; ele chega a Mangaratiba e São Paulo no fim do mês e falou com exclusividade para Jotabê Medeiros

José James, que se apresenta no Bourbon Street em outubro - Foto: Facebook
José James, que se apresenta no Bourbon Street em outubro – Foto: Facebook
Cantores masculinos novos de jazz você pode contar nos dedos de uma única mão. Mas, no indicador, certamente deverá colocar o nome de José James, 37 anos, o mais moderno e refinado vocalista da atualidade. O nome José diz respeito à sua origem (a família é meio panamenha, meio irlandesa), mas a latinidade termina aí. Ele nunca gravou bossa nova (só conhece João Gilberto) e é natural de Minnesota, Estados Unidos.

Também compositor e bandleader, James tornou-se ainda mais distinto dos colegas de geração ao decidir regravar este ano o repertório de uma das mais notáveis cantoras de jazz do passado: Billie Holiday, para a qual fez o tributo “Yesterday I Had the Blues”. Cassandra Wilson também fez isso, com “Coming Forth by Day”, mas não foi surpreendente.

Nove antenas do repertório de Billie foram revisitadas por James (com produção do presidente da gravadora Blue Note, o notável Don Was) e uma banda que não poderia ser mais estelar: o pianista Jason Moran, o baixista John Patitucci e o baterista Eric Harland.

A voz enfumaçada de barítono, a atitude hip-hop, a elegância blasé: é esse show de José James que desembarca no dia 27 de outubro no Bourbon Street (e no novíssimo festival de Mangaratiba, entre 23 a 25). O vocalista debulha as canções de Lady Day, como “God Bless the Child”, “Fine and Mellow”, “Good Morning Heartache” (com enxertos de diamantes de Al Green e Bill Withers). James falou com exclusividade a El Pajaro que Come Piedra nesta segunda-feira, por telefone.

Jotabê Medeiros – Entre cantores novos de jazz, só consigo lembrar de Gregory Porter e você. Por que há tão poucas vozes de homens no gênero hoje em dia?
José James – Acho que sempre foi assim, as mulheres sempre dominaram a cena do jazz. Os homens nunca foram maioria. Houve sempre alguns de tempos em tempos, como Nat King Cole, Louis Armstrong, mas nunca eram mais que um punhado.

JM – E você regravou Billie Holiday, um símbolo da condição feminina. Por que decidiu gravar a canção “Strange Fruit” a capella, sem acompanhamento, como um spiritual?
JJ – Bom, primeiro era importante incluir “Strange Fruit” porque era um manifesto político de Billie, é uma mensagem muito forte. Mas inclui-la significava buscar um jeito de fazer diferente, porque não podia ser trivial. Ela cantou também sozinha, acompanhada apenas de um pianista. Cantá-la sem acompanhamento, com outro tipo de recurso, foi um jeito que encontrei de capturar a emoção e apresentar de um jeito novo ao mesmo tempo. É difícil fazer algo novo com uma canção que é tão antiga, tão influente e que faz parte das convicções e da vida de tantas pessoas.

JM – Falam muito da influência de Gil Scott-Heron em sua música. Mas Gil tinha uma abordagem mais de spoken words, da poesia falada, não era um cultor do canto virtuoso. Você, como vocalista, é um estilista. No que Scott-Heron foi mais influente para você?
JJ – Ele nunca foi influente musicalmente em minha formação. Sempre tive respeito pela postura e pelas ideias dele, e isso está mais latente no meu primeiro disco (“The Dreamer”, 2008), que soava como um tributo. Mas eu credito minhas influências mais fortes e iniciais a Michael Jackson, em primeiro lugar. E a Prince. E eu amo de verdade os rappers. Sempre adorei Ice Cube, De La Soul, A Tribe Called Quest e a soul music dos anos 1970, especialmente Marvin Gaye. Esse blend está presente no que eu faço.

JM – Você também tem encontros com artistas da música eletrônica. Por exemplo: há uma gravação sua com Flying Lotus (codinome do produtor Steven Ellison) em um reggae chamado ‘Visions of Violet’.
JJ – Flying Lotus é maravilhoso. O que ele faz é definitivamente avant garde. Não o vejo como um artista de um mundo diferente, ele apenas toca outro tipo de instrumento. O importante é que ele injeta paixão e emoção na música que faz, e essa é a ambição de todo músico.

* Publicado originalmente em El Pájaro que Come Piedra

7 COMENTÁRIOS

  1. AO FAROFAFA,

    DESCULPEM minha siceridade, não gostei desta Materia.
    EU não gosto de ” cantores ” ” canoras” norte-americanos e ingleses .
    EU so valorizo alguns cantores BRASILEIROS.
    Soupatiota, não sou idiota.
    EU sai do Brasil, mas o Brasil não saiu de mim.
    EU critico milhões de brasileiros , porque são analfabetos, semianalfabetos pouca e ou nenhuma cultura , educação , moral e carater.
    Mesmo os que possuem Diploma, são desinformados e desatualizados.
    São Analfabetos Politicos.
    São corruptos e ou corruptores .
    São desonestos , mentirosos, difamadores , falsos, cinicos, invejosos , despeitados , arrogantes, chatos , agressivos .
    E normal, e comum, e uma vergonha ,e um nojo, são milhões de brasileiros.
    BRASIL,, nunca mais , salvo se DEUS determinar.
    BRASIL, ame-o ou deixe-o.
    Eu e minha familia preferimos deixa-lo.
    Bye , bye BRAZIL.
    Good luck.
    Hug.
    Saude, SUCESSOS e Sorte , sempre, FAROFAFA , tambem para todos nos .
    Abraço sincero.

    ITO CAVALCANTI
    Sacramento, California, U.S.A..

  2. Esta Materia e do Eduardo Nunomura e ou do Jotabê Medeiros ….
    Não entendi.
    Aguardo resposta.
    Grato.
    Abraço.

    ItoCavalcanti
    California, U.S..A. .

  3. Fiquei curioso para ouvir este novato do jazz, com músicas de Billie Holiday.
    Jose James, o nome é forte. Vou em busca de sua música, pois em se tratando de Billie Holiday, deve ser certamente música de qualidade.

    Sou Gael Nietzsche, de Fortaleza-CE.

  4. Prezado sr. Eduardo Nunomura ,

    CONFIRMO o recebimento da sua resposta e fico feliz e agradeço sua gentileza e e boa vontade.
    Saude, Sucessos e Sorte , todos os dias e sempre , para todos nos.
    Abraço sincero para todos.

    Ito Cavalcanti
    Sacramento, California, U.S.A..

    • GAEL NIETZSCHE .
      Gostei dos Cerenses , são inteligentes , educados e gentis e prestativos.
      Conheci Fortaleza, fiquei hospedado no Hotel Iparana , SESC -CE , dez dias e por três vezes , e gostei muito ,todos os funcionarios foram educados , gentis e prestativos. Nota 10 .
      E a prova que gostei de Fortaleza, e que ja fui três vezes .
      Aconselho você divulgar a leitura do FAROFAFA , porque aumenta nossos conhecimentos e melhora nossa cultura .
      Portanto, e importante e e util.
      Sou um leitor e comentarista assiduo do FAROFAFA, gosto muito .
      Eu resido em Sacramento , California , U.S.A. .
      SE você quiser se comunicar comigo, EU autorizo o FAROFAFA a informar meu e-mail.
      Por segurança , não posso te informar por aqui.
      Deus nos proteja e nos dê uma otima saude, paz, sucessos e sorte , todos os dias e sempre, amem.
      Abraço sincero.

      Ito Cavalcanti
      California, U.S.A.

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