IMG_5624São 16 horas de domingo na Virada Cultural, e Valesca Popozuda ainda não chegou. Como convém a um popstar no auge, nossa Filósofa Contemporânea está levemente atrasada. Uma multidão se amassa pelo largo do Arouche afora.

Há aglomerações de fãs à espera na entrada de serviço do palco Arouche; de jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e fãs no cercado de imprensa e convidados; de gente viva e feliz no Arouche inteiro. Tod@s queremos Valesca.

Rapidamente, o céu se torna carregado das nuvens de chumbo da senhora Iansã de Maria Bethânia. Quem chegará primeiro,? Valesca ou a chuva que não caiu na Cantareira, que não caiu durante a Virada inteira até agora?

Valesca chega primeiro – Valesca chega sempre primeiro, mesmo se estiver levemente atrasada.

Passam cerca de 20 minutos das 16 horas ela quando faz entrada apoteótica, secundada pel@s bailarin@s moldad@s na massa fina e fofa da diversidade sexual e racial, pelo próprio carisma e magnetismo, pelos versos matreiros e inteligentes de “late que eu tô passando” e “hoje eu tô solteira, ninguém vai me segurar”.

Mas, mal Valesca começou a cantar, o dilúvio despenca num jato de cólera pelo centro de São Paulo.

Talvez São Pedro ande com raiva de São Paulo, como já desconfiava São Itamar Assumpção no antigo ano de 1994. Decididamente, São Pedro anda bipolar. Às vezes seca tudo, às vezes molha tudo – e nem num dia nem no outro os políticos & a mídia de São Paulo conseguem escapulir da surra do santo que lava o chão do céu.

Talvez sejam os eflúvios sacros da micropasseata de cartazes em estilo “stop! in the name of Jesus” que circulava pelos fundos do palco de Valesca enquanto esperávamos por ela. Pois sangue de Deus tem poder contra a liberdade sexual e racial e feminina e racial, tem ou não tem?

Talvez, não, seja cativa da coletividade paulista de marra porque não gosta de funk, de funk carioca, de funkeiros, de cariocas – não somos racistas!!!

Talvez fosse menos mandinga do catolicismo e mais dos orixás, das ayabás, da Iansã de Bethânia, “tempo bom/ tempo ruim”, dos iconorixás que ornaram em neon a noite e o amanhecer da Virada no Parque da Luz.

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Talvez azinimigas de Valesca afinal tivessem mesmo aquele poder de ódio que ela tanto temia, aquele poder de rancor que nem beijinho no ombro consegue curar. Costura na boca do sapo tem poder, já cantava a velha fluminense interiorana Clementina de Jesus.

Talvez, nada disso, seja só a vida mesmo, em sua brutal normalidade e banalidade. Um dia chove, no outro bate sol. Um dia chove na Cantareira, outro dia chove na Billings. Um dia o Nordeste seca, no outro dia é o PSDB que esvazia as reservas.

Mas Valesca.

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Valesca enlouquece uma plateia preparada para o Arouche, para a lotação esgotada do megafestival democraticamente gratuito, para o vagão espremido do metrô e do trem metropolitano. Mas então chove como se não fosse haver amanhã – e quem diz que para a chuva estaríamos preparados nós, paulistas do fígado estuporado? Não estávamos.

Saímos todos correndo, apavorados – mas apavorados de quê? Da chuva? Dos granizos do tamanho de jacas (ok, estou exagerando um pouco) que batem nas nossas caras? Do frio que venta a Virada? Da chuva fria? Dos arrastões psicossociais na babel democrática paulista que é só a única coisa que a Folha de São Paulo consegue enxergar em São Paulo (e no Brasil) há 514 anos? Do sul-matogrossense Ney Matogrosso, que deu um vira-vira-lobisomem outro dia lá nas gringas, antes de voltar americanizad@ para este após-calypsico pós-BraZil?

Seja quem for o bicho-papão, o céu atira pedras de granizo, de granito sobre nós, e nós fugimos apavorados para baixo da marquise. Daqui da marquise, não dá para ver o litoral sorumbático do paulistano Roger Moreira. É só chuva e pedra e vento e gente correndo e a plateia que agora há pouco estava apinhada de gente e agora é só deserto e chuva e pedra e gente correndo.

Mas, surpresa!, a voz de Valesca Popozuda continua a ecoar pelo Arouche adentro e afora, com granizo e tudo. Será que a mardita também saiu correndo e esqueceu de desligar o playback?

Não, crianças, Valesca não se esqueceu de desligar o playback. Valesca se esqueceu foi de sair do palco, mesmo expulsa à porrada pelos granizos, pela chuva, pelo frio, pelos choques elétricos ao microfone molhado. Nem por Iansã, por São Pedro, pela Universal do Reino de Deus, pelo Universo em Desencanto ou pela macumba dazinimigas. Nem pela plateia de açúcar que fugimos para debaixo da marquise.

Valesca prosseguiu o espetáculo, numa atitude de autoconsagração que terminaria com ela ajoelhada, agradecendo a Deus(a) por ser quem ela é.

Não há juízo de valores por aqui. A maioria dos shows de encerramento foi justificadamente cancelada pelo dilúvio de um São Pedro bipolar surtado à beira de um ataque de fúria. A paraibana Roberta Miranda não pôde cantar no Arouche eletrificado pós-Valesca. A amapaense Fernanda Takai do mineiro Pato Fu nos conta que os brinquedos da música de brinquedo da Viradinha ficaram avariados pela tempestade princesa. Pelo que conta diretamente da produção do megafestival o querido Rodrigo de Araujo, o grupo gaúcho Apanhador Só se tornou o ato de encerramento da Virada Chovida, num show acústico cumprido na raça, no asfalto, no gogó, neném.

E a carioquíssima Valesca.

Valesca não é melhor nem pior que ninguém (muito menos é igual a ninguém), mas o que a separa de artistas que ameaçaram não subir no palco pela falta de um microfone quando ainda nem chovia é o que separa os artistas “de verdade” dos meninos mimados, os brasileiros dos braZileiros, a mídia sem pauta pronta da Folha e da Globo, o Brasil que quer crescer do Brasil que está contente em se conservar escravo.

O Brasil tem mudado profundamente nos últimos anos, e não era de se esperar que a arte, a cultura e música do Brasil não acompanhassem o movimento. Valesca é a cara da mudança na música brasileira, é o Brasil novo que se desgarra feito um continente de uma ilha de artistas (e cidadãos) acomodados, resmungões, politicamente desinformados e cultuadores da própria ignorância e preguiça.

Como sublinhou a nova baiana niteroiense Baby do Brasil na noite anterior, quando ainda não chovia na Cantareira do Arouche, Valesca é o Brasil que vem de sim – porque quem vem de não não chega, não.

De volta ao desembarque dos bichos no dia do dilúvio. Numa corrida da marquise para um toldo de hotel, a partir de um outro ângulo, entendi de repente por que diabos Valesca  continuava a cantar mesmo sem público: ela NÃO ESTAVA sem público.

Coladinha ao palco, uma massa compacta cantava e pulava e tomava chuva e pedra e pedrada e porrada e choque elétrico com ela debaixo do toró.

O profissionalismo e o agradecimento embevecido da Filósofa Contemporânea a seus pares (igualmente filósofos e contemporâneos) no asfalto é o que separa o Brasil que está nascendo (todo dia) do BraZil que não para de morrer um pouco por dia.

A Virada Cultural, que não irritava tanto quando era (era?) tucana, irrita muito agora que virou (virou?) petista, porque é preciso combater o avanço do Brasil sobre o BraZil. E, sobretudo porque a Vi(ra)da, adaptada para tempos de ruptura dos diques culturais e sociais, é a vida como ela é.

Na vida como ela é, não há maquiagem possível para os índices de violência – e a Polícia Militar passa zunindo, histérica, em furgões e motos hollywoodianas nababescas por entre os (não-)paulistas e os (não-)paulistanos a pé.

Na vida como ela é, um jornal é um blog e uma rede de TV é um encontro de blogueiros.

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Na vida como ela é, misturamos-nos os pretos e os brancos e os homens e as mulheres e os pobres e os ricos e os indígenas e os europeus e os ciganos e todos os seus intermédios. E os ingressos são de graça.

Na vida como ela é, Valesca Popozuda É o Brasil, pront@ para começar o espetáculo e conduzi-lo lindamente até a apoteose. Os tambores já estão rufando.

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(As fotos e o vídeo que acompanham este texto são do goiano interiorano Giovanni Reis. Itamar Assumpção é paulista do interior, Maria Bethânia é baiana do interior e o autor deste texto sou paranaense do interior.)

(P.S. em 20 de maio: o paulistano Giuliano Scandiuzzi avisa, na caixa de comentários, que a linda obra dos Iconorixás é de autoria dele próprio, o VJ Scan. Legal, Giuliano!, só falta agora você contar onde nasceu, pra seguir o padrão do resto do texto…)

142 COMMENTS

  1. A Popozuda deve ter sorte na vida, só pode. É dela a imagem na Virada Cultural: uma multidão dançando debaixo de uma tempestade ao som de “Beijinho no Ombro”. Poucos minutos antes, Elke Maravilha encerrava seu curto show num palco ao lado com uma canção em que pede perdão à natureza. Por coincidência, eu acho, no mesmo momento o céu fechou, começou a ventania e a chuva de granizo, como há tempos SP não via. Todo mundo correu para se abrigar onde deu. Até começar “Beijinho”. Então, todo mundo correu de volta para dançar e mandar, bem alto, a inveja para a puta que pariu. Com chuva forte e tudo. A imagem é essa, a manchete outra: “Elza Soares faz show histórico no Teatro Municipal”. Aplaudida de pé desde o momento em que entrou, amparada, até o final, quando imitou Jair Rodrigues e chorou. No meio de sua trajetória, Elza ouviu um conselho. Falaram para ela ir para os EUA, onde seu enorme talento seria devidamente reconhecido. Ela respondeu: “Não, lá serei mais uma. Aqui sou única”. Ela ficou. Obrigada, Elza!

  2. Lindo! Só esqueceu de falar do arrastão que aconteceu durante o show, da pancadaria na frente do palco por causa dos inúmeros assaltos – estávamos em um grupo de 6 amigos, apenas um chegou em casa com seu celular – e ainda dos policias que estavam ali ao lado, de braços cruzados assistindo tudo, não fazendo nada e que quando alertados do ocorrido mandavam as vítimas pra “casa que rua é lugar de vagabundo”.

    • Não esqueci não, Rodrigo, só acho que não preciso repetir a parte que a Folha e o Estado já fazem com tanto talento e competência. Por sinal, a matéria tipo Hiena Hardy da Folha está linkada no meu texto, não sei se você percebeu… 😉

      • Amei a programação (opinião pessoal), acho Valesca gênia e assino embaixo do que Carolina escreveu, uma cultura não sobrepõe outra, porém todo o brilhantismo da virada se apaga, pra mim, quando sei que pessoas morreram, sofreram violência física e/ou psicológica. Isso não pode ser ignorado, não pode ser esquecido e deve ser sempre pauta em qualquer meio, qualquer mídia. Não em tom jocoso ou menos importante, como foi usado em seu, aliás, excelente texto.

        • Rodrigo, ok, mas quantas pessoas morreram na periferia de SP no final de semana anterior ao da virada? Por que as mortes no centro nós doem mais forte que as mortes na periferia?

          A galera do chorume classista só se dói socialmente quando a água bate na própria bunda, e depois passa 514 anos sem entender por que roubaram seu aifone na madrugada da vida real.

    • Os policiais estão certos em não fazer NADA, prender para que, são menores de idade, vai arriscar a sua vida para prender um menor que no dia seguinte está solto, outro detalhe furtos são legalizados nesse país, quem vai na virada criminal tem que ir preparado, o Brasil não é civilizado esqueçam isso.

      • Estranho, Elias, eu vi policiais militares cercando em várias motos um garoto asolescente negro, jogando ele no chão de barriga pra baixo, batendo o pneu da moto no menino, humilhando ele como se fosse um bicho. Quem disse que os policiais não estavam fazendo nada??

  3. O que a falta de uma educação de qualidade é capaz de fazer, o Brasil é um ótimo país para ser estudado por cientistas do mundo inteiro.

    • Me perdoe, Elias, mas não agüento mais o clichê esvaziados “o que falta é educação”. Cacilda, por que então nos, que somos tão “educados” e cheios de diagnósticos sobre o Brasil, não botamos a mão na massa pra educar os outros? Aliás, de que outros mesmo estamos falando? Dos pedreiros que constroem a cada onde vamos morar?

      Perdão novamente, mas tudo isso me soa muito falatório oco de qualquer intenção real de superação das nossas eternas mazelas.

  4. RUMOS CULTURAIS… FALTAM BÚSSOLAS!
    (Lailton Araújo)

    Os navegantes do Oceano Atlântico tentam descobrir o segredo das tempestades, calmarias, ondas, marés e águas navegáveis, neste lado continental. Talvez não conheçam a geografia destes mares. A nação da análise é Brasil ou Brazil?

    Estando em qualquer porto seguro, as naus dos descendentes lusitanos, franceses, ingleses e holandeses, navegam na monotonia travestida de Virada Cultural. São composições, interpretações, textos, poemas, letras e rascunhos. As criações artísticas são livres… As escolhas obscuras! Não podem ser vinculadas aos interesses comerciais dos anunciantes nacionais ou internacionais. Muito menos: multinacionais. Sem quaisquer dúvidas: esse pedaço de chão – cagado e cuspido – pode precisar de uma revolução meio dente por dente x nota por nota x letra por letra. Por aqui existem poetas, compositores, letristas, músicos, fotógrafos e outros aprendizes sérios. É a maioria! A outra parte – pode ou não – está usando o lema: tenho que me arrumá, senão, perco meu barquinho! Desculpe a sinceridade! O mar já não é de marinheiro de primeira viagem! Quem não lembra do refrão: Marinheiro, marinheiro / Marinheiro só / Quem te ensinou a nadar / Ou foi o tombo do navio / Ou foi o balanço do mar… (De: Bi Ribeiro / João Barone).

    Muitas obras culturais da antiga Terra de Santa Cruz são originais. Aquelas tão comuns, massificadas, com a assinatura da mediocridade, ajudam ou não, no nascimento natural de uma concepção artística duvidosa, não crítica, que não recebeu crítica, e que jamais receberá crítica. Quem navega em tal mar poderá se afogar na sonolência, em mar calmo. A viagem literária – às vezes – é previsível ou imprevisível. Depende da condução do capitão e marujos da embarcação. Como escrever sem colocar palavras ovais e frases triangulares? Aqui é América do Sul. O Caribe fica lá em cima! Se existem léguas ou milhas marítimas é uma questão de história? Qual é a praia ou litoral? Eles são de fora: Eu não sou daqui / Marinheiro só / Eu não tenho amor / Marinheiro só / Eu sou da Bahia / Marinheiro só / De São Salvador / Marinheiro só… (Adaptação: Caetano Veloso).

    Entende-se que o objetivo é a meta necessária. O subjetivo lembra a arte. Chocar um ovo pode ser arte? Depende da ave! Ave César! Ave de rapina! Ave-da-avenida! Ave Maria! Quebram-se as formas! Rompem-se os conceitos e preconceitos! Talvez, aconteçam mudanças! As formações culturais das elites brasileiras soam como afronta ao simples, verdadeiro e genuíno. Será que os povos do Brasil sabem o que é cultura? Monteiro Lobato e Amacio Mazzaropi deixam saudades!

    Onde estão os artistas independentes? Será que não se afogaram nos patrocínios estatais do país? As MTVs diárias concorrem com as linguagens das Tvs digitais abertas! E haja amor, chavões, carrões e algumas bundas com silicone! É cultura cult, curtida, malhada, de melodias fáceis, harmonias baratas e letras esculachadas. Os brasileiros e brasileiras sentem tesão por bunda! É normal! São formas de mídia, comunicação, música, literatura e sacanagem, sobrevivendo no mercado do quase extinto MP4! As gravadoras tornaram-se gravadores caseiros e que computam prejuízos. Os novos direitos autorais dos que criam, já não são garantidos. A Internet mutilou a criação do autor? É a vida, é bonita e é bonita… (De: Gonzaguinha).

  5. Deixa ver se entendi, afinal, não concordar com o BraSil que está surgindo é o mesmo que não entendê-lo, segundo sua maneira de colocar o problema, então já viu… Quer dizer que somos obrigados a gostar de funk, porque se não gostarmos simplesmente somos dinossauros, antidemocráticos, birrentos, elitizados e americanizados? Ou, já que se insiste tanto nisso, o funk, tão glorificado como o estilo mais nativo que se tem notícia até hoje, também não teve sua origem lá na cultura americana, mais precisamente na região latina? E será que somos mesmo democráticos quando todo e qualquer estilo que não seja o que o povão está apreciando é automaticamente tachado como hostil? Será que o dinheiro que esse estilo, o mais popular, movimenta hoje, não provoca nem um pouco de desconfiança em quem se diz de esquerda e aberto a todos os movimentos oriundos do povo? Ou essas questões todas simplesmente não agradam e são deletadas dos comentários? Até quando vamos continuar assistindo esse maniqueísmo pueril?

    • Temo não conseguir dialogar com as suas dúvidas, Marcelo, já que nunca na vida eu falei que ninguém é obrigado a gostar de funk…

      Se você fosse pelo lado oposto e lamentasse o fato de eu dizer, aí sim, que NINGUÉM tem o direito de achincalhar o funk e de tratar funkeiros como se fossem lixo, ou bichos, aí talvez conseguíssemos dialogar.

      A fúria da galera para achincalhar e humilhar qualquer um que não corresponda a ideais brancos europeus (seja Valesca, seja Lula) é nauseabunda.

      E só uma reafirmação, pra você e pra todo mundo que tá tendo ataque de nelvos aqui. Reafirmo que, na minha opinião, Valesca é uma GRANDE ARTISTA. Não é uma verdade universal. Vocês não precisam concordar. Mas tenho certeza de que, bem-educados, nascidos e viajados que são, vocês CONSEGUEM conviver com essa minha opinião tão, er, ~exótica~.

      • Na verdade eu já esperava esse tipo de resposta. Não sua, mas de alguém que tomasse suas dores. E fazendo justamente aquilo que eu menciono no meu comentário: dizendo que quem não concorda com vc, simplesmente é do mal (“bem-educados, nascidos e viajados”). O que censuro é justamente essa atitude. Francamente, não me importo nem um pouco se vc considera a Valesca grande artista ou não, essa não é a discussão que levantei aqui. Não estou falando de qualidade, afinal não é esse o fator que faz gostarmos ou não de um artista. Ao contrário, é porque gostamos que dizemos que ele é bom, logo, discutir qualidade é absolutamente inútil e só serve para chegar a extremos. Não estou irritado com o fato da Valesca se apresentar na virada cultural, como disse, isso pouco me importa. O que quero é resguardar meu direito de não gostar dela e não ser classificado como elite tacanha, preconceituosa. É preciso parar de nos apoiarmos nessa dicotomia pueril, como mencionei anteriormente. Gostar de música clássica, axé, forró, rock ou o que quer que seja é apenas uma preferência entre uma série de outras que compõem o âmbito da personalidade de uma pessoa, nada mais. Não adianta querer politizar uma coisa que não é. Aliás, a meu ver, a maior prova de que ainda não somos um país com uma democracia ativa (quero dizer com isso uma sociedade democrática) é essa necessidade atual de classificar tudo entre direita e esquerda. Em uma democracia saudável ninguém precisa se justificar em relação a isso. Cada um tem sua opinião e não é transformado em monstro no discurso alheio. Então, mais uma vez, se vc é um crítico musical, e olha que não estou defendendo nenhum relato de outros jornalistas, porque também não concordo com eles, que fazem a mesma coisa, mas apenas com o sinal político trocado, então ora, faça crítica musical. Por que não tem uma palavra sobre a música? O que ela cantou e como foi? Por que todo mundo só pode apoiar ou negar a possibilidade de uma artista dessa participar de um evento? Ora, para mim essa questão nem deveria existir, o que deveria sim se debater é a música dela, analisar a apresentação.

        • ” O que censuro é justamente essa atitude.” Falou, sr. Censor. O problema (seu) é que censores só existem em ditaduras – e portanto vc tá ficando obsoleto, hihihih.

          Também te amo.

        • E, evidentemente, “democracia saudável” deve ser uma no modelo norte-americano, onde todo mundo é de direita. [a próxima frase contém ironia.] Ah, mas desculpe, está fora de moda falar em esquerda e direita numa sociedade pré-democrática como a nossa…

          • Pelo jeito o senhor começou a mudar o tom das respostas. O que é, estou tocando em um nervo exposto? Ou será que sua visão dicotômica do mundo não consegue entender que não existem só duas opções na vida? Engraçado como o senhor gosta de colocar palavras na boca do outro para em seguida demonizá-lo. Não falei em democracia americana, não adianta tentar isso comigo. Ah, um toque, censurar não nasceu na ditadura, era um verbo muito antes disso… Mais uma vez, pare de me chamar de uma coisa que visivelmente não sou e o senhor sabe disso. [a próxima frase contém ironia.] Mas vamos fazer assim, porque está parecendo que o senhor vai chorar ou me fuzilar daqui a pouco, democrático que é, continua com as mesmas atitudes que supõem criticar e faz crítica musical sem falar de música. Só um detalhe final: o que me fez ler seu texto foi a vã esperança de um comentário real sobre a apresentação da Valesca, eu estava curioso, já que não encontrei nada em outros veículos, mas foi tolice minha, reconheço…

    • Pedro Alexandre Sanches,
      Desiste, meu bem. Você desceu do salto, perdeu a razão. O Marcelo tem todo o direito de não concordar com você. Clamar por respeito e desrespeitar o próximo só faz de você um hipócrita.

      P.s.: não se dê ao trabalho de responder. Não pretendo ficar voltando aqui pra conferir alfinetadas.

      Abraço, e belo texto. :* no ombro

  6. Ótimo texto! Mas adorei mesmo a passagem, que foi a melhor definição de Fernanda Takai que já li e reflete exatamente como me sinto em relação àquela vozinha quase sumindo pelamordedeus: “A amapaense Fernanda Takai do mineiro Pato Fu nos conta que os brinquedos da música de brinquedo da Viradinha ficaram avariados pela tempestade princesa.” Ótimo!

  7. PAS você não entende nada de musica. É um bicão gerado por essa mídia babaca chamada FSP, que te mandou embira aliás. Nem a eles você serviu. Esse teu texto pseudo “tropicalista” é uma bobagem. Agora, tentando se retratar com Caetano, você escreve esse texto usando as mesmas bobagens que ele escreveu sobre o Axé. Você merece a Valesca, pois é a unica maneira de você se aproximar da arte popular, por baixo. Afinal ela é você tem algo em comum. Não entendem um cacete de musica . Ela mulher objeto e você jornalista se formação dando uma de popular. Ora , cale-se na sua ignorância musical.Você não tem ideia do que os músicos zombam das suas criticas.

    • Só um equívoco seu, Carlos: fui EU que mandei a Folha embora da minha vida. Por mais que você desacredite.

      Uma coisa só eu não entendo: meu texto foi assim tão agressivo com você, pra você em troca ter de ser tão agressivo comigo? Acho que não.

  8. Se o que essa Valesca faz é música, ainda criativa?! Ainda compará-la ao Itamar Assunção! Você não tem vergonha de ser tão cínico e ainda falar da chuva como se uma praga fosse, já que essa personagem foi atrapalhada. Não sei porque perdi o meu precioso tempo, lendo tanta besteira. E que crítico musical você é!!! Nossa, estou de cara!! A que nível desceu nossa cultura musical!!

    • Não me ofenda, dona Cleusa, eu não estou aqui ofendendo ninguém. Se não é possível debatermos cultura civilizadamente, então não é possível debatermos.

      Nervosinha.

  9. Até quando seremos soterrados com comentários do tipo “que nível desceu nossa cultura” …. e desde quando cultura tem nível? CULTURA NÃO É APENAS O QUE VOCÊ GOSTA. Cultura não é só Chico, não é só Caetano. Engraçado que coisas assim saem das bocas dos que se auto intitulam “”intelectuais”” mas não sabem o verdadeiro significado da palavra CULTURA. Mas vai aí uma ajudinha aos intelectuais: “Cultura significa cultivar, e vem do latim colere. Genericamente a cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo homem não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade como membro dela que é.”
    Ou seja, o funk é uma cultura das periferias. NOSSA, a palavra proibida: PERIFERIA. Juntamente com outras proibidas: POBREZA, NEGRITUDE, FAVELA, GUETO, BUNDAS E FUNK.
    Tenho PENA de quem desmerece a cultura que não conhece, que não compartilha. Nunca vi nenhum funkeiro dizer “gente idiota e sem cultura essa que gosta de MPB”. (e olha que sou professora de escola Estadual e convivo com funkeiros diariamente)
    Se a intelectualização tem de vir junto com preconceito e intolerância a tudo aqui que é diferente, tem que odiar funk e tudo que eu creio que não me adicionada nada a minha bela massa cefálica, então tchau sou ignorante e to indo pro baile procurar o meu negão! BEIJOS COXINHAS!
    “e você ainda acha que é um doutor, padre ou policial que acha que está contribuindo com sua parte para nosso belo quadro social….”

    • Falou é disse tudo, Carolina: cultura NÃO É só o que você gosta.

      Até porque o que cada um de nós da conta de gostar é, tão, tão, tão mais limitado do que tudo que cabe no mundo e na cultura.

    • Agora, Carolina, e se colere vier de cólera?, aí a colheita de ódio que estamos verificando aqui também faz parte da cultura?!? 3-)

  10. É um bom texto, independente se concordo ou se gosto de funk. Só não entendo porque as pessoas de opiniões diferentes são tão rudes e disseminam tanto ódio.

  11. É incrível a forma como as pessoas se debatem ao ouvir algo positivo sobre a Valesca. Gente, parem de chorar, ninguém é obrigado a gostar a moça assim como ninguém é obrigado a gostar de música clássica. E, sim, essas duas são expressões artísticas distintas que devem ser respeitadas igualmente. Mas essa pseudo elite intelectual está dando no saco. Adoram criticar a Valesca e o funk, mas passam suas tardes ouvindo Leandro e Leonardo (e os mais novos cujos nomes eu nem me lembro). Qual é a diferença? Nenhuma.

  12. Você imaginava já que iria encontrar tanta gente ignorante e agressiva(já que quase sempre faltam argumentos), né? Só digo que: INCRÍVEL texto. Sou olhada torto na Faculdade(e olhe que é um curso que deveria ter “mente aberta”) toda vez que digo: VALESCA é uma artista do caramba, sim! E só não é vista dessa forma pelo preconceito que o funk sofre. O que mais escuto, é: A mulher diz que é cachorra e isso e aquilo, não se valoriza e quem escuta/dança/canta/defende isso não se valoriza também… ah tá.

    • É nóiz, Jamile!, quem disse que a gente tem medo de cara feia?!?

      Como dizia minha finada mãe, cara feia pra nós é fome…

  13. E, pra ressaltar, as mesmas que defendem isso que eu escrevi acima, são as que concordam que mulher que manda fotos sem roupa merecem ter a foto espalhada para os amigos dos amigos dos amigos dos amigos dos amigos de quem ela enviou. E, também, que mulher de roupa curta merece, sim, ser estuprada.

  14. A Virada Cultural do Haddad foi um retumbante fracasso! Não apenas pelos sofríveis aspectos “culturais” mas também pela violência que tomou conta dos malfadados eventos.

    • Ainda bem que temos você, Jorge Alberto C. Rodrigues, para nos alertar sobre os ~retumbantes fracassos~ dos políticos que você odeia.

      Beijos malfadados de quem aproveitou cada segundo da Virada. 😉

      (E depois sou eu que ~politizo~ tudo, né?…h

  15. Eu adorei! Ela é muito talentosa. Eu descobri que a Valesca era mais que apenas uma bunda. Não é que ela também tem peitos! Uau…. Muito talento.

  16. Que texto maravilhoso, quanta agressividade com o Pedro Alexandre Sanches. Sou musicista e analista de sistema, entendo de música e amei o seu texto, sua visão, sua opinião. Parabéns pelo texto, precisamos de mais “Pedros” como você.

  17. Não curto Valesca, assim como não curto Beyoncé ou 50 Cent, são amalgamas que não deram certo, mas é o que tem pra hoje, é o que representa o Brazil, é a música que representa a elite tola com criação de símbolos de status: aliás para alguns o camarote é onde se apoia o novo Cristo redentor do Brazil, inclusive para aqueles que odeiam a Valesca, mas assimilam bem esse ideal de rei do camarote ! Seria um idiota se dissesse, também, que os denominados ‘intelectuais’ da musica ditariam o rumo certo da nossa cultura, me decepcionei imensamente com Ney Matogrosso, Lobão e toda essa turma, Lineker e Fabiana Cozza, dentre outros cantores e compositores, terão que esperar uma nova Pimentinha, uma pessoa pura arte, que viva a música e boa garimpeira. Só acho que para fazer o novo no Brasil temos que conhecer o velho !

    • Mas quem precisa mesmo de “uma nova Pimentinha”, Luiz Cláudio? – estaremos pra sempre com saudade da reencarnação do que já se foi?

      • O que eu quero dizer é a reencarnação da ideia: ou seja, não ter medo do novo, respeitar o passado, e construir o futuro, aliás cultivar é aproveitar da carne morta como adubo ! E mano na moral, nisso Elis Regina era fera, e quem sabe surja um novo movimento que transforme o próprio funk, uma nova bossa, mas é difícil quando não há espaço para diálogo e aceitação, por um lado, de que o funk é um movimento cultural, e aceitação, por outro lado, de que o funk representa uma ideia errada de consumo dos menos abastados e criada pelos mais abastados. Uma nova era musical e de qualidade surgirá quando essa juventude destruir culturalmente todos estes símbolos de status (e é isso que os funkeiros fazem de melhor ao imitar a elite suja) e os caras dazelite passar a ostentar bons valores, e igualmente serem imitados (É só minha visão do movimento) !

        • Meu argumento, apenas, é de que talvez existam 10 mil novas Pimentinhas em ação e você (eu) talvez esteja simplesmente (re)agindo como alguém “que ama o passado e que não vê”, Luiz…

          Talvez homenageássemos mais Elis se entendêssemos que ela amava tanto o novo que não suportava a ideia de ficar, ela mesma, “velha”.

          Eu queria que ela estivesse viva até hoje, mas já pensou que tragédia, ela em 2014 dando entrevista no Roda “Viva” pra se queixar do Bolsa Família e da superlotação dos aeroportos?…

  18. Li e gostei, pela sua colocação, consegui enxergar além da minha opinião, é também lamentável que hoje, o facebook seja um muro de lamentações de quem só reclama e não luta por mudanças, só fazem reclamar!
    Abraços

    • Obrigado, Eliana!, concordo completamente contigo, esse muro das lamentações interminável em que se transformou o reacionarismo brasileiro é educativo, mas da uma preguiiiiiiiiiça…

      Se queixam contra Valesca, contra o funk, a educação, a saúde, a Copa, o Bolsa Família, se queixaaaaaaaaaaaaaaam, não fazem nada na vida a não ser se queixar.

      Preguiiiiiiiiiiiiiçaaaaaaaa

      • A melhor fase da vida, é quando entendemos que cada um tem seu espaço, aprendi a mudar meu ponto de vista quando há argumentos pra isso. Para entender melhor os fatos e tudo que nos leva ao caos atual, faço parte de um grupo de discussão, onde posso expor minhas dúvidas, é uma experiencia bastante gratificante, somos professores de literatura, de filosofia, professores do ensino médio e outros sem título.
        Pode ser apenas uma gota no oceano, mas já é um começo, e com respeito às opiniões alheias.
        Parabéns pelo “furdunço” que você causou com a matéria, quer dizer que ainda temos força para questionar!

  19. Grande Pedro! Sou um jovem caminhando aos ‘inta’ e muito dado à leitura, sempre cultivada e fomentada pelo meu pai. Sou preto, pobre, advogado, formado numa grande universidade graças ao ProUni (por ora, uma exceção. Por ora!). A partir deste pequeno e despretensioso histórico, afirmo com imensa certeza e alegria que, pouca vezes, um texto me causou tanto furor!
    Pela primeira vez, em todas as edições da Virada, não tive a oportunidade de participar dos eventos, graças a uma maldita pneumonia. Contudo, ao ler seu abraço. Sim, abraço! Pois foi assim que me senti a cada parágrafo: abraçado! Ao ler este carinho, lá me senti, no meio da chuva de GRANITOS/GRANIZOS (piada pronta rs). Desejando a todazinimigas vida longa!
    Obrigado por não ceder ao sensacionalismo barato e lucrativo da FSP, nem às demais!

    Não sou um admirador do funk contemporâneo (saudades do Tim), mas, graças a você, por alguns minutos fui abraçado pelo bonde!

    Viva a diversidade!

    • Poxa, Homero, não me faz chorar no meio da rua – ou melhor, me faz sim, hahahaha!

      Uma das maiores felicidades de ler o seu comentário é saber que, se o ProUni tá gerando caras como você, posso estar tranquilo e orgulhoso de seguir minhas intuições políticas e continuar fiel e leal ao tipo de projeto político-cultural que sigo já desde 1989…

      Um grande abraço, e cuide MUITO desses pulmões aí, porque eles têm MUITO por que gritar mundano afora!!!

      • Apaixonante Pedro,

        Talvez, então sigamos as mesmas boas intuições rs. Estou cansado dos pessimistas, das agências estadunidenses se julgando aptas a avaliar a confiabilidade de cada país (isso sim é hilário), das aves azuis com bico de banana bradando que ‘deve-se ensinar a pescar ao invés de dar o peixe’… (o mesmo mimimi-reaça de sempre) Se não tivesse recebido o ‘peixe’, hoje, com certeza, não saberia pescar, tão menos, teria outros peixes para dar aos que precisam.

        Parece um discurso demagógico e pueril, mas tenho convicção de que não é! É realidade cotidiana. Ainda somos a exceção, não a regra!

        Mais uma vez, obrigado por verbalizar com imensa maestria meu sentimento. Tento fazê-lo em meu nicho rs, mas ainda estou longe de tamanha excelência. Ok, parei! Leitor ‘lambe-saco’ é piegas demais rsrs…

        Mas, uma coisa é certa: ainda quero encontrá-lo para devolver o abraço! rsrs…

        Abraços!

        • Poizé, Homero, haja estômago para passar uma existência inteira sendo bombardeados pelo besteirol diário vomitado por Jabor, Sardemberg, Leitão, Azedo e outras trombetas do apocalipse – que, por sinal, não acertam UMA há anos.

          É muito masoquismo, muita falta de amor-próprio, né?

          No mais, <3 <3 <3, aguardo o abraço real!!!

    • Como assim exceção amigo, também, sou pobre, advogado, e formado em uma grande universidade graças ao PROUNI, e conheço outros tantos bons camaradas !

  20. Primeira vez que leio um texto seu e gostei muito. O texto foge do senso comum e eu admiro isso! Quanto aos comentários negativos, lembrei de uma conversa que tive com meu pai onde ele sempre falava que criticar é muito fácil porque você não precisa fundamentar, simplesmente diz que odeia, não gosta e ponto final.

    • Ana, que delicia de comentário o seu – e que sabedoria do seu pai!!!!

      Já escrevo textos sobre música profissionalmente há 18 anos, e é como se eu fosse criança outra vez quando alguém chega aqui dizendo que está lendo um deles pela primeira vez e gostando. Muito, muito, muito obrigado! <3

  21. Tudo isso pra dizer “Viva o PT”????? Loucura!!!! Aguardo o próximo texto seu da abertura da Copa, falando do povo, do verdadeiro povo que veste o verde a amarelo e estufa o peito para cantar o hino do Brasil contra todos que se opuseram contra esse espetáculo feito para o povo que é o futebol (com ingressos a R$ 300, R$ 450 e R$ 850)….E “Viva o PT” que nos deu a Copa e as Olimpíadas. Sim, agora você brasileiro também é um cidadão do primeiro mundo. Viram o legado? Não fosse a Copa não haveria novas alas nos aeroportos (se bem que não precisava de Copa para melhorar nossa mobilidade aérea, né). Enfim Pedro, Viva o PT.

  22. Eu não sou politizado, tampouco viajado, menos ainda educado, porém, minha simples opinião: Não gosta não assista, afinal, você não é obrigado, mas respeite.
    Da mesma forma que não é o fato de gostar ou desgostar que te torna um monstro elitista que só gosta da cultura enlatada americana; no mínimo a cantora em questão merece respeito, pois se ela chegou onde chegou, foi por méritos próprios, e não cabe a mim nem a ninguém julgar se o lugar por ela alcançado é merecido ou não. Se a valesca recebe o título de ícone cultural, filósofa, rainha da cocada preta ou seja lá o que for, é pelo fato de que o público dela a reconhece assim, e quem sou eu (repito: um despolitizado, mal educado e não viajado) pra dizer algo contra?

    • Posso te dizer, Raphael, que seu comentário soa mais politizado, viajado e educado que tudo que sai da boca de certa intelectualidade arrogante braZilEUA? <3

  23. PERFEITO 🙂

    Estamos aguardando ansiosamente a Valeska no ENED (Encontro Nacional dos Estudantes de Direito). A diva foi convidada e já confirmou presença. Ai gzuis!
    Quem diria que teríamos uma funkeira sendo uma das atrações mais esperadas do encontro de um curso que já foi, aliás, ainda é, reduto de coxinhas haha
    As coisas mudam.
    Entre discussões sobre política, ensino jurídico, etc, teremos Valeska cantando sobre empoderamento feminino, liberdade, diversidade.
    Ai ai
    *suspiros*

  24. Bom dia, Pedro.

    Gostaria de parabeniza-lo pelo texto muito bem redigido, muito embora a estética e algumas das visões expressas nele não me agradem muito, o texto é muito bom.
    Tenho também de expressar o horror que compartilho ao ver o tipo de crítica feroz que lhe dirigem. Percebe-se que os supostos argumentos com os quais te atacam sem hesitar valem tanto quanto suas posturas de criticar alguém sem vociferar insultos zangados.

    • Valeu, Henrique! Fique à vontade para expressar suas discordâncias – afinal, sem ofensa nem chilique a gente pode debater até a (in)existência de adeus sem virar inimigos, né?!?

  25. Quanto lixo cultural, povo imbecilizado e a Carta Capital dando espaço pra essa escória, gente inferior que só quer se dar bem com esse entretenimento doentio. É um desserviço à emancipação cultural e política do povo e esses apedeutas acham muito esquerdista apoiar a falta de cultura do povo, lamentável esse discurso relativista cultural. O que o Brasil precisa é de incentivo à alta cultura, ao acesso ao classicismo em todas as áreas artísticas, somente isso desenvolve o espírito crítico e à elevação intelectual.

  26. Lindo texto Pedro Alexandre, sim, Valesca é diva e tentar negar é um equivoco grotesco. É curioso os levantes ariscos que surgem quando um gênero musical de origem popular é apreciado pela crítica. Como bem explicitado no comentário da Carolina, toda produção humana é cultura, logo, as músicas produzidas pelos Novos Baianos (músicas de todas as minhas manhãs rsrsr) vão apenas refletir o contexto espaço/temporal e econômico sociocultural do produtor, do mesmo modo ocorre com outros gêneros musicais, vide o funk. Nesse sentido, querer rotular o que é e o que não é cultura, além de se mostrar uma concepção deturpada e limitante é extremamente elitista, pois estratifica diálogos produzidos pela mente humana de acordo com as suas percepções sobre o mundo e o contexto cultural em que vive. Devemos ter clareza dos termos capital cultural, econômico e social, pois o que faz um indivíduo apreciar um determinado tipo de cultura está intrinsecamente vinculado aos contatos a priori deste com o mundo. Portanto, essa enxurrada de ódio sem sentido apenas reflete uma vontade consciente ou inconsciente de autocolocar-se em um plano de poder superior: ricos, se não pelo econômico, sou superior no quesito cultural. Em síntese, recalque.

    Beijinho no ombro.

    • Bravo, Jhonatan!, amei!!!

      Novos Baianos é DEMAIS, né? E pensar que tinha gente que achava um lixo em 1972…

      E, concordando integralmente com você, quem só avalia a cultura sob os parâmetros de seus próprios cercadinhos inevitavelmente limitados (afinal, quem não é limitado por um monte de coisas nesta vida?) tá cego, não tá vendo quase nada do mundo. Isso também é questão de educação, já que todo mundo gosta tanto de esfregar “educação” e “falta de educação” na cara da Valesca, do cantor sertanejo, da empregada doméstica, do Lula, da travesti, do coveiro que vai enterrar a gente quando a gente morrer…

      Falar de “educação” e “falta de educação” é fácil e enche muita boca por aí, mas se cada um de nós olhasse pro espelho na hora de vomitar clichê, ia sair muito monstrinho e bruxinha de trás do blablablá vazio…

      Beijinho no teu ombro também, Jhonatan! <3

  27. Aproveitando que o texto não citou o conteúdo da artista; me lembrei que as feministas alinhadas a CC e seus parceiros, alinhadas inclusive a este blog, combatiam a mulher-produto na prateleira exibida pelo pseudo-funk. Acompanhando CC há cerca de um ano verifico que há muitas, as feministas, junto aos colegas dos outros blogs, defendendo o pseudo-funk e sua hostilidade social. Que hostilidade!? Tem a ver com o fato de minha avó de 90 anos ou meu sobrinho de 5 não precisarem ouvir “vavava vagina pra trás” ou semelhantes. Talvez só minha avó e meu sobrinho não precisem… Besteira os artistas e adenvogadus dos mesmos terem a certeza que a culpa é de quem toca isto na praça, onde a família (democrática e de qualquer tipo e composição) quer passear e ver as crianças brincarem, ou na festa ao lado às 00h30, seja de uma terça-feira ou de um sábado. Não não, por que bom mesmo é tocar músicas desta estirpe na festa de 3 aninhos e ainda filmar (na vertical, sempre) e por no YouTube.

    Viva o país do futuro.

    • Só respondo por mim mesmo, Julio, nunca pela CartaCapital nem mesmo pelo Farofafá inteiro (nem mesmo o Eduardo Nunomura, meu sócio na empreitada, pensa exatamente como eu, e nem por isso respeito ele menos).

      De minha parte, acredito que Valesca é muito mais o combate explícito à exploração barata do corpo feminino do que, como você citou, uma “mulher-produto”. Ela há era feminista na Gaiola das Popozudas (não, Valesca não nasceu ontem), e tem se superado nisso. Eu gostava dela antes, não gostei muito n’ “A Fazenda” e hoje gosto imensamente.

      “Viva o país do futuro” – não me inclua nesse clichê viralatas, por favor. Mas, de resto, obrigado pelo comentário crítico, inteligente e respeitoso.

  28. Muito bom o texto! Concordo plenamente que temos muita culpa no que acontece ao nosso redor, ficamos parados esperando que façam por nós, pois dá trabalho fazer alguma coisa. Só que tem um porém, um dia seremos atingidos pela nossa propria mazela…aliás ja somos, quem consegue andar tranquilamente em SP em qlqr horario? Dificil, né?

    “…. mas tudo isso me soa muito falatório oco de qualquer intenção real de superação das nossas eternas mazelas”
    muita boa frase!

  29. Acho lindo quando ela canta “porque quando a piroca tem dona é que vem a vontade de fuder”. Meus filhos amam Valesca, aqui em casa todos gostam da Filosofa e do filósofo Mc Catra.

  30. Brasil, intelectuais, escritores e seres humanos em geral, divididos numa realidade ampla entre valesca-funk-esquerda-novobrasil-novacultura-pt e brazil-neymatogrosso-direita-coxinha-psdb. Isso ainda há de acabar. O cérebro humano e a nossa capacidade de análise precisa ser maior que isso.

      • Pedro, talvez tentar analisar cada um dos itens como um fator isolado. A ascensão do fenômeno Valesca não tem a ver com o PT (apesar de ser possível a construção dessa relação). Quem gosta ou deixa de gostar do som dela, não é coxinha. Só não gosta do som dela. Entende? A condição está para a condição.

        Uma pessoa pode reconhecer padrões e dizer que, no geral, pessoas que votam no PSDB, não gostam de funk. Isso não quer dizer que eleitores de outro partido também não gostem.

        Fica uma dica interessante para os leitores do BLOG, e com certeza poderá servir e ajudar na análise de outros fenômenos futuramente:

        O pensamento crítico – http://busca.submarino.com.br/produto.php?link=http://www.submarino.com.br/produto/7371626/livro-pensamento-critico-o-poder-da-logica-e-da-argumentacao-3-edicao&ranking=1&sessao=c0af11b80612c822296b865702fcec38e3bc29ca&idbusca=dc9c4bd54ebb180b9617eb2068c0710b5d25c32b&idproduto=7371626

        The critical thinker’s dictionary (infelizmente não encontrei tradução): http://www.amazon.com/exec/obidos/ISBN=B00GNR0KT0/roberttoddcarrolA/

        São alguns livros voltamos ao pensamento racional e crítico, e podem ajudar a todos a fazerem uma análise pragmática das idiossincrasias de um fenômeno.

        Abraços e parabéns pelo dom da escrita!

        • Concordo contigo, Pedro – ainda que algo no meu texto (e/ou posições políticas) possa sugerir o contrário, é óbvio que não acredito que o mundo se divida exclusivamente em tucanos que gostam de ópera e petistas que gostam de funk (até porque muitos petistas DETESTAM funk, hahaha).

          Os partidos políticos existem, entre inúmeras outras razões, para revelar (ou escamotear) realidades, némesmo? Eu respeito, admiro e AMO a política, isso não posso não quero nem vou negar. Politicofobia é uma doença social gravíssima, na minha opinião. Quem enche a boca pra dizer que ama música/cultura e odeia política não se dá conta do tiro de canhão que está dando no próprio pé. (Perdão pelas divagações, talvez nem tenham a ver diretamente com seu comentário…)

          No mais, obrigado pelas sugestões de leitura, que eu não conhecia!!!

  31. Já que não consigo responder lá em cima, Pedro, vai aqui mesmo. Realmente não sou famoso, como vc que é importante e aparece sempre nas colunas sociais e nas fotos de poderosos (entendeu?), mas usar esse tipo de argumento para tirar a relevância do que eu disse é prova de tudo que escrevi. Não vou alongar mais, é inútil, afinal vc está em uma posição de vantagem, como mostrou com todos os dentes agora. Tem um veículo de comunicação a seu dispor, enquanto eu sou um reles qualquer, daquele povo que vc gosta tanto de exaltar, mas que cala simbolicamente quando se manifesta de maneira contrária. E viva a boa e vanguarda…

    • Marcelo, em que coluna social você já me viu?!?!?!?!? Credo em cruz!, cê tá me cafundindo com alguém!!!

      Apesar de eu achar que cê fala um monte de rabanete, fique à vontade por aqui, o FAROFAFÁ é um veículo de comunicação pobre (nunca ganhamos nenhum centavo por aqui, eu e o sócio Eduardo Nunomura), mas está inteiramente ao seu dispor.

      “Cala simbolicamente” é o escambau, eu estou aqui conversando bonitinho com você. Larga de ser ingrato, minino!

  32. Ótimo texto. Sei que não pediu minha opinião, mas particularmente detesto e abomino funk, pra mim não acrescenta em nada na cultura e na sociedade. Mas é a realidade do nosso país! Tudo o que vc disse é verdade (infelizmente-para mim). Não a compararia com os demais artistas, mas essa é a “cultura” do país agora, como vc disse. Podemos não concordar que o funk é bom ou não, que ela é genial ou não. Mas sou OBRIGADA a concordar que vc tem razão e que é hipocrisia negar que essa é a cultura do país agora, porque é o “point” do momento. Espero, sinceramente, que meus filhos (que ainda não tenho) não sejam parte dessa “nova cultura”, assim como eu sou jovem e não gosto, mas não há como evitar que isso está tomando uma grande proporção e para a minha infelicidade pode ser que a minha vontade não seja feita hehe… É, as coisas mudam… podemos até não gostar, mas não podemos evitar. Odiar ou não funk, odiar ou não a “Pensadora contemporânea”, não vai mudar em nada o que já é realidade. Parabéns pelo texto!

    • Claro que pedi, sempre, sua opinião, Elaine! – se os textos não forem para dialogar, serão para quê?

      Também não concordo totalmente com o que você diz – acho, por exemplo, que a gente gasta muito tempo e energia na vida nessas de “detestar” e “abominar” as coisas… Por mais que não se goste da música ou da filosofia ou da bunda da Valesca, poxa, será que ódio e repulsa não são sentimentos venenosos demais pra endereçar a uma moça carioca que canta funk?… O que mesmo ela fez pra merecer tanto ódio e tanta abominação?…

      Outra coisa, e agora sem discordar de você: será que pra gente aprender mais sobre a vida é preciso prestar atenção só naquilo que a gente “gosta”? Será que a gente não aprende um montão observando o que não gosta, o que é estranho, distante, incompreensível?… Será que a gente não fica mais livre pra escolher, se for permeável tanto ao que “gosta” quanto àquilo que nos causa resistência?

      Apenas reflexões e provocações, provocadas pela sua reflexão. Obrigado!, <3

  33. Concordo plenamente com seu texto, embora um tanto rebuscado, ficou bom. Acho que pode simplificar melhor suas palavras para alcançar um publico mais brasileiro.
    A unica coisa que coisa que discordo é que a Valesca esteja mudando o BraZil com Z para o Brasil com S, eu acho que o Brasil sempre foi Brasil com S, mas ela está levando este Brasil com S, como você mesmo citou das vozes da MPB, que estudavam a língua para realizarem suas canções, para um Brasiu com U no final, porque, se considerarmos ela uma filosofa e a sua musica arte, estaremos discordando do que é filosofia e o que é arte, pois são conceitos que ela não alcança em suas musicas.
    Mas belo texto, continue expondo suas ideias e suas criticas, e parabéns à aqueles que não tiveram medo das jacas de gelo voadoras nem dos choques elétricos.

    • Poxa, Demétrios, ser “rebuscado” não é minha intenção, de maneira nenhuma… Mas é o jeito que fui aprendendo a escrever, na USP, depois na Folha, depois na CartaCapital, e, você sabe, é difícil a gente se libertar de velhos costumes…

      Talvez Brasil seja = Brasil + BraZil + Brasiu + TUDO que couber aqui dentro, né?

      Adorei seus comentários, obrigado!

  34. Tanta crítica velada a toda a cultura brasileira. Mas a única que salva é a permitida pelo PT, afinal, em seu texto, a democracia foi inventada por ele.
    O Brasil e o BraZil se misturam e se fundem há anos e tudo isso faz parte da cultura brasileira. Esquerda e Direita brasileiras também são produtos da cultura brasileira. Ou a direita é estrangeira e a esquerda é brasileira?
    Dizer que Valeska continuou seu show pq é brasileira; e que qualquer outro músico que não subiu no palco por conta do dilúvio é um mimado braZileiro traduz um exagero e uma discriminação, não? Ou brasileiro só é aquele que aguenta levar “tiro, porrada e bomba?”.
    Ser brasileiro é lutar diariamente, seja no braço, seja no intelecto. Querer um país justo socialmente é direito de qualquer brasileiro, seja ele amante ou não do funk; seja ele amante ou não do sertanejo; seja ele amante ou não da música erudita; seja ele amante ou não do axé; seja ele católico, protestante, ateu, orixá e afins; seja ele amante ou não do PT ou do PSDB. BraZileiro está na mentalidade do estrangeiro e não da mentalidade do povo que critica sua própria cultura. Com Tom, Vinícius, Caetano, Latino, Legiao Urbana, Psirico, É o Tchan, Chico, Yamandu, Hamilton, Valeska, MC Catra, Bonde do Tigrão, Ana Carolina, Luiza, Zizi… Somos todos farinhas do mesmo saco. Com diversidade cultural e/ou sexual somos todos filhos da mesma nação. Não é somente a Popozuda que faz o Brasil ser brasileiro. Cultura não se mede; nem se classifica. Cultura existe e se adapta ou não; se admira ou não. A liberdade é a marca da democracia. Não me julgue se não gosto das letras da Popuzada, pois não te julgo por admirá-la. Sou tão brasileira quanto você.

    • Não sei a nacionalidade da nossa direita, Ana, mas uma parte dela tem sido historicamente entreguista aos interesses sobretudo estadunidenses – é só ver a Globo, nascida sob “financiamento” do grupo Time-Life e até hoje, 2014, empenhada em arremedos de cultura norte-americana como as atuais novelas das 18h e das 19h. Me perdoe, mas não é a esquerda estadunidense (existe?) que injeta tanto hollywoodianismo nas Organizações Globo…

      De resto, não vou comentar suas interpretações fatalistas do que eu quis comentar… Não pretendi fazer um texto de exclusão, e sim de denúncia contra os que querem sempre excluir dois terços dos brasileiros de TUDO. O BraZil só vai ser Brasil quando for composto de três terços de apaixonados por eles (nós) próprios.

      No mais, obrigado pelo comentário sóbrio e cordato, apesar de contrário. Nem deve ser um agradecimento agradável de ouvir, mas é que, com tanto tiro porrada e bomba que os antiValesca e os antitudo andaram distribuindo por aqui eu fiquei escaldado… 😉

  35. Olá Pedro! Gostei do texto! gostei das imagens! Principalmente a referência à minha obra ICONORIXÁS que estava localizada no portão principal do Parque da Luz. Apenas peço que, se possível, credite o autor da obra, no caso eu mesmo, VJ SCAN. Muito obrigado! Abs!

  36. Genial Pedro S. Parabéns pela lucidez.
    E força, para suportar às babas dos raivosos imbecis e toscos, metidos à besta … salve e viva waleska e o funk ….

  37. quem não quer cantar num palco molhado é mimado, a favor do escravismo e fantoche da folha de são paulo? nunca vi um texto tão afetado pra falar que merda tem gosto de morango.

  38. Incrível o texto e respostas aos comentários. Li em algum deles que a apresentação deveria ter sido avaliada pelo aspecto político e sim pela música em si. Acredito que neste momento de ascensão de classes que estamos passando é muito válido elevar artistas como a Valesca a um ícone, já que ela é um retrato nítido desse cenário. É uma pena que a classe média deste país se sinta tão elite, pois os EUA já percebeu o potencial econômico da periferia a muito tempo e se mantém no topo da pirâmide capitalista da música com ela. Como disse Jaloo em uma entrevista, o Eletrobrega do Pará assim como o Funk Carioca são exemplos genuínamente brasileiros de novos estilos de música eletrônica.
    Enfim, quanto aos comentários agressivos cult-elitistas, não sei se somos americanizados ou se somos pseudo-europeus da idade média vivendo em feudos-condomínios explorando servos favelados. Eu prefiro seguir com a Valesca mandando beijinho no ombro pro recalque passar longe.

    • O Jaloo é o máximo, né, Tayã?! Assisti a um pedaço do show dele, espero ainda escrever…

      Os comentários cult-elitistas agressivos são a expressão explícita daquilo tudo que eles não querem parecer: ignorantes, preconceituosos, deseducados, subdesenvolvidos. Mas, olhe, não tô aqui xingando os comentaristas não, sabe? Foi a mídia colérica que os ensinou a ser assim – e eu tenho minha parte nisso, dos tempos em que babava passivo-agressividade como crítico musical da Folha.

      Um dos bons da vida é que tudo que a gente (des)aprende pode re(des)aprender depois, né?

      Abração, Tayã!

  39. Vou dizer que os comentários estão tão interessantes quanto o texto… Me questionei sobre meu gosto musical, quantas pessoas ao meu redor se consideram superiores às outras porque “ouvem música culta de verdade”. Pensei sobre minhas próprias críticas às músicas massivas. O texto me fez refletir, de fato, e ainda estou digerindo. Teu texto, inundado de comentários de diversos tipos, me fez lembrar daquela parcela cult que apoia a não-objetificação da mulher, mas acham que a menina que vai para o baile funk merece ser ridicularizada porque usa roupa curta e naquela que deprecia a mulher que usa essas mesmas roupas curtas, mas acha bacana a “mulher do movimento alternativo” usar mini-saia e roupa justa que prejudica a respiração, e por aí vai… Me senti compreendida por ouvir Bonde do Rolê e continuar ser humano, o que muita gente do meu círculo social acham bizarro porque também ouço ~rock pauleira~. Obrigada!!!

  40. Menino, ainda estou aqui embasbacada com seu texto. Que coisa linda você escreveu, cara! Eu voltava do show de Luiz Melodia exatamente na hora em que Valesca se apresentava e, sim, a galera – especialmente LGBT talvez – cantava e dançava como se não houvesse amanhã. Enquanto vários shows foram cancelados por causa da chuva de granizo, a Popozuda se manteve no palco, firme e forte. Somente agora faço esse comentário, mas desde de manhã quando li o seu texto, saí postando em minha página no facebook, no twitter e mandando para várias pessoas amigas. Belo texto. Um abraço.

    • Obrigado, Suely!!! <33

      Luiz Melodia deve ter sido incrível também..., se você quiser/puder escrever suas impressões...

  41. Grande texto. Antológico!

    Só não acho que a virada mudou por ser PT ou PSDB.

    Os dois partidos se mimetizaram. Cada um possui seus caciques, mas infelizmente possuem as mesmas práticas.

    No meu braZil não tem lugar pra corrupto, e o partido que me representa ainda não foi criado.

    No braZil que estamos construindo não votamos de 2 em 2 anos, somos parte integrante das ações do Estado.

    Consultados pela Internet ou em espaços públicos sobre cada assunto que nos afeta.

    Neste novo braZil Valesca é rainha sem tirar a majestade de Elza. E os políticos de todos os partidos actuais estão numa cova rasa em que se auto-enterraram.

  42. DEIXO CLARO QUE ESTA CRÍTICA NÃO É PARA A CIDADÃ OU DANÇARINA, “VALESCA POPOZUDA”. ESTOU CRITICANDO QUEM A COLOCOU NUM “ESPAÇO ALIENÍGENA”… ELA DEVE OCUPAR O “ESPAÇO DO SHOW BUSINESS”… A “VIRADA CULTURAL” FOI CRIADA COM QUAL CARA? É A CARA DA “OUROPA” OU BRASIU”? NÃO ENTENDI ATÉ AGORA…

    Uma Reflexão – Escrevi em Junho de 2013
    (Lailton Araújo)

    É a “curtura” que apenas “curte” no Facebook! Essa juventude não possui senso crítico, não sabe escrever, somar, ou mesmo, separar o que é uma boa música de outra apenas vulgar.

    O MinC – Ministério da Cultura (de Dona Marta Suplicy, Gilberto Gil e Juca Ferreira) têm culpa por isso… Foram 10 anos “divagando”, com masturbação mental, “Fora do Eixo” e resultados culturais: zero! Uma década perdida… O que surgiu de diferente no Brasil? O MinC até que inaugurou uma estátua enaltecendo as “meninas do funk”, com as nádegas de fora. As “Viradas Culturais” (do PSDB e PT) da vida, podiam assumir outras parcelas de culpa, por não repassarem parte da “área inteligente” da boa arte para as periferias das cidades.

    As músicas tocadas nos meios de comunicações – concessões de Estado pagos com “jabás” – são os sertanejos universitários (de péssimo gosto – sem aprovação do ENEM ou ENADE) e o funk erótico que contribui para o aumento populacional do país, com problemas de paternidade e de saúde (DSTs), ao se buscar pais desconhecidos, vias testes de DNAs! Esqueci algo: o forró “tecnobrega” tão divulgado no Norte e Nordeste do país: este até fez a Rede Globo ganhar novas audiências. Até parece um caso espetacular do programa do “Ratinho – SBT”. Que nível cultural possui atualmente a televisão brasileira! Programas de “reality shows” deseducam ainda mais os cidadãos, já deseducados! Será que o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras estão patrocinando os verdadeiros “fazedores” de cultura? A educação de uma geração demora 50 anos…

    Os jovens de hoje conhecem o Brasil geográfico ou a história deste, nos últimos 50 anos? O que se passa na cabeça de um garoto ou garota, ao ver uma foto do ex-presidente Lula junto ao Sr. Paulo Maluf? É um choque histórico? O que as redes sociais divulgam sobre a classe política brasileira? Existe político honesto? Quem é honesto e o que é ética? Que papel exerceram os generais nos 21 anos de ditadura? É muita informação para pouca educação desta meninada! O atual governo federal tem culpa por essas lacunas na cabeça da juventude. Faltam canais de comunicações transparentes e imparciais… Falta educação de uma geração na redemocratização do Brasil. O país está caminhando para uma sociedade careta e reacionária…

    Estou por aqui, querendo trabalhar e sem espaço! Tenho contas, sou artista (30 anos de estrada), projeto aprovado pela Prefeitura de São Paulo e com o caixa pessoal no vermelho. Enquanto isso, um monte de bajuladores governamentais, ganha uma boa grana, apenas para aplaudir o que não está “bem feito”, ou “pouco realizado”, pelos governos municipais, estaduais e federais… Alô Dona Dilma! Alô Dona Marta! Alô Sr. Juca Ferreira! Nós sabemos educar a juventude… Nós, antigos artistas precisamos trabalhar e trabalhamos com seriedade! Prometemos que faremos esses jovens (alienados) distinguirem – de forma política – um Adolf Hitler de um Mahatma Gandhi, ou um Emílio Garrastazu Médici de um Dom Helder Câmara. Até brincamos que não misturaremos as ideias do artista “Lobão”, com aquelas do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, pois as mesmas já são homogêneas.

    Os jovens que hoje combatem o inexplicável (o Brasil até que está bem na área econômica) querem apenas “aparecer”, em um “suposto protesto”, tirar algumas fotografias e publicar no Facebook! E outros milhares compartilham, mesmo que apareçam os “fantasmas do passado” na paisagem de cada foto! É aí que mora o perigo! Essa meninada está sendo o “Cavalo de Troia” de algo muito sério: a campanha política de uma direita conservadora! Cuidado Brasil! Eduque sua juventude…

    E não adianta bater (polícia do PT, PSDB e PMDB) nos jovens deseducados ou deixar alguns sem um olho, dois ou vários olhos, pois esses meninos e meninas, já são cegos políticos, nascidos nos anos 1990.

    Desculpe a crítica… A “Valesca Popozuda” é uma menina bonita e tem pique de palco! Não tem culpa por cantar o que o país “vomita”.

    Abraços.

    Lailton Araújo

  43. Obrigada, Pedro, por um texto tão bonito. Eu nunca ouvi a Valesca e estou certa que não vou gostar da música dela, mas já adorei a atitude. Dela e sua. De vocês e de várias pessoas aqui que acreditam sim no Brasil. Um país que vai sobreviver a todo esse ódio, estrategicamente lançado e disseminado euforicamente pelos cordeirinhos de plantão. Como li esta manhã, em 2010 vencemos o medo e este ano havemos de vencer o ódio. Ironicamente, muitos anos atrás, esperávamos por João Gilberto por um show no parque do Ibirapuera, em um calor absurdo.Depois de duas horas de atraso, ele chegou, não gostou dos micorfones e foi embora. Nem olhou pra nós que torrávamaos impávidos sob sol de verão. Realmente, a gente ainda tem muito a mudar. Mas você ajuda, certamente!

  44. A Valesca só atrasou 20 minutos pois tinha cerca de 40 fãs (ou mais, pois não me dei o trabalho de contar) que não deixavam o carro dela entrar de forma nenhuma, depois de muito tempo ela desceu do carro em meio a dezenas de pessoas ensandecidas, tirou foto, abraçou beijou e disse; Amores, tenho que ir para o show né!
    E durante aquela chuvinha de nada (sqn) várias pessoas, inclusive minha amiga Maira (Gravida de 8 mês) entre outras milhares de pessoas (inclusive eu) permaneceu o tempo todo em baixo do aguaceiro sem arredar o pé, mesmo tocando 3 vezes Beijinho no Ombro.

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