Nem chegou a meia-noite na sede do G.R.E.S. Acadêmicos da Rocinha, no sábado, 21 de setembro, e a casa já está lotada. Mais tarde vai ter show de forró com a banda Gatinha Manhosa, com quase duas décadas de estrada e comandada pelos veteranos Edson Lima (irmão de Batista Lima da Limão com Mel) e Angela Espíndola. Só que a ampla maioria do público, principalmente os mais jovens – o correto seria dizer as mais jovens -, não está ali por causa da Gatinha Manhosa, mas sim por causa de Acácio, o Ferinha da Bahia.

SAM_3427Acácio pode seguramente ser classificado como o maior astro invisível do Brasil. Invisível pelo fato de não ter sido feita praticamente nenhuma citação a seu nome na imprensa cultural: é como se ele não existisse. No entanto seus shows raramente não lotam. E o show na Rocinha não foi diferente.

Eu já tinha assistido a três apresentações dele em São Paulo no ano passado. Já conhecia a histeria que ele provoca entre suas fãs, mas não sabia que o fenômeno se repetia também no Rio de Janeiro. Acácio é uma espécie de pós-Wando. As fãs jogam calcinhas e sutiãs no palco, berram, desmaiam, choram e invadem o palco para agarrar o ídolo. Tanto é que uma dupla de seguranças de terno preto e gravata são presença obrigatória nas laterais do palco, para devolver as meninas para o gargarejo. Nesse show na Rocinha contabilizei cinco invasões.

Outra peculiaridade dos shows de Acácio é que as fãs lhe entregam suas câmeras digitais e celulares, ele bate um auto-retrato e devolve os aparelhos. Calculo que foram mais de 50 fotos, que com certeza foram postadas em redes sociais, resultando numa inteligentíssima forma de divulgação.

O som da banda do Acácio não tem nada de extraordinário em si, um forró estilizado romântico fortemente temperado pelo arrocha baiano. Ele também não tem nenhuma música de muito sucesso fora do círculo de seu público. O  mais próximo disso é “Do Meu Jeito”, que a plateia canta em coro. Então qual é o segredo do sucesso do Ferinha da Bahia?

O segredo é que seu público cresceu junto com ele. Quando chegou em São Paulo aos 18 anos, em 2001, vindo da minúscula Cansanção do sertão da Bahia, onde até essa idade ele deu duro na roça de seus pais, Acácio era um artista por se fazer. E durante longos anos ele foi aprendendo na tentativa e no erro, ralando nos bares e pequenas casas de shows da capital paulista. Fazendo contatos, conhecendo o terreno e conquistando admiradores.

Atualmente, Acácio já se encontra no seu quinto DVD e tem cinco CDs lançados. E a tendência é que suas apresentações cada vez mais frequentes no Rio lhe deem a chance de dar um passo além para ser reconhecido nacionalmente.

Não que ele ambicione isso. Talvez devido ao fato de ter vivido na zona rural do sertão nordestino durante toda infância e adolescência, Acácio é um cara extremamente humilde e nem um pouco deslumbrado com o sucesso. Talvez ver seu sonho de infância, que tinha tudo pra ser impossível, ser realizado seja pra ele mais do que suficiente.

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