Daqui a dois dias (13/9), a menor terra indígena do país fará mais uma manifestação pelo direito de ter suas terras reconhecidas, a aldeia Pyau, nas cercanias do Parque Estadual do Pico do Jaraguá, em São Paulo. É uma luta que se arrasta há mais de duas décadas e envolve o descaso das autoridades municipal, estadual e federal. Um lago contaminado polui as águas do rio que corta as suas terras dos índios guaranis. Se isso já não fosse o bastante, eles, e a maioria da população indígena brasileira, ainda se vêem ameaçados pela Proposta de Emenda Constitucional 215, que transfere a decisão da demarcação de terras para o Congresso Nacional.

E o que tudo isso tem a ver com a música? Ou, melhor questionando, o que a música pode fazer para ajudar? Veja o vídeo e entenda como:

Xondaro MCs cantam rap, o rap tupi-guarani. A canção começa na língua materna dos índios, mas depois passa a ser cantada em português ou misturada entre os dois idiomas. Palavras ou expressões como “discriminar”, “gente inocente”, “governo”, “violência”, “dando tapa”, “coronhada” e “humilhando nossos irmãos” não faziam sentido algum na cultura indígena. Hoje, elas invadiram as aldeias da pior forma possível.

Segundo a antropóloga Bia Labate, xondaro “é uma arte marcial do povo Guarani em que eles buscam o equilíbrio físico e espiritual. É uma dança praticada em roda, coordenada por um mestre, e praticada pelos Guarani desde a primeira infância”. Os Xondaro MCs, que se apresentam em festivais indígenas ou de cultura periférica, incorporaram ao nome o espírito de guardião de sua aldeia. Cantam num ritmo que pouco ou nada tem a ver com suas origens. Mas quem sabe só assim eles passam a ser ouvidos?

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